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Do Brasil para o mundo

Categoria: , , , , por Henrique Affonso de André - terça-feira, julho 22, 2008

Escrevendo novamente de maneira autobiográfica, me lembro de uma tarde entre 1993 e 1994 em Monte Alto. Tinha saído da quinta e começaria a sexta série. Já ouvia Iron Maiden por influência do Dudu e Black Sabbath e Deep Purple através do meu pai. Eu e meu primo Luccas Nunes (o Foca), que à época aprendia bateria, fomos a pé até à casa da nossa prima Natiele, que estava aprendendo a tocar guitarra e ganhara uma Jackson preta. Nos mostrou, tocou Smoke on the Water com ela desligada, uma guitarra linda, me impressionei com o brilho, as cordas prateadas... mas depois não tínhamos muito o que fazer e fomos para o quarto do irmão dela Murilo (campeão brasileiro de motovelocidade de 2006, Murilo Colatrelli). Mexemos em uns CDs, e eu peguei uma caixinha onde lia-se ARISE - SEPULTURA.
Eu sabia que o Sepultura era a maior banda de rock pesado brasileira, mas acho que nunca tinha escutado uma música sequer. Coloquei no aparelho, aquela intro cavernosa, aquela cavalgada inicial e “tan-tantantan-taaan”. É um momento da minha vida que não esqueço, pois a partir dalí eu virei um fã de metal. Eu já gostava, mas depois daquele momento, eu vendo meus dois primos balançando a cabeça juntos comigo, olhando um pro outro com aquela cara de “puta que pariu!”... depois daquele dia eu passei a usar preto, camisa de bandas, tentei deixar o cabelo crescer. Arise, do Sepultura, a música.

Arise é um disco de um peso incrível. Como ele, o Sepultura deixou de ser a banda brasileira que buscava espaço lá fora para ser uma banda do mundo inteiro que saiu do Brasil. Se o Schizofrenia bateu às portas, o Arise arrombou os portões do resto do mundo para a banda.
O disco é coeso, as músicas parecem grudadas umas as outras (a obra, porém, em momento algum é monótona). As intros – além da clareza da gravação - são um dos aspectos que atestam a enorme qualidade da produção. Na época para mim era novidade, depois que fui vendo todos estes pormenores. Se à época eu entendesse, seria algo que me deixaria orgulhoso por ser brasileiro.
Consegui, depois de muito tempo, descolar uma prensagem que saiu às pressas do Arise, sem mixagem: o lendário “Rough Mixes”. Isso ocorreu pelo fato do Sepultura ter sido chamado para tocar no Rock in Rio 91 e o disco ainda não estar pronto. Saiu do jeito que estava pra não perder a oportunidade, saindo a versão “de verdade” uns meses após. Está aqui em casa. Capa tosca, som toscão, uma raridade que apenas fãs conseguem apreciar a qualidade. Além disso, não tem o cover de Orgasmatron que fecha o álbum oficial (Orgasmatron é um dos raros casos em que um cover acabou se tornando mais clássico da banda que fez a versão do que a música original, tanto que por mnuito tempo o Sepultura abriu e fechou shows com ela).
Os dois vídeos clipes gravados nos Estados Unidos (Arise e Dead Embryonic Cells) são também muito bem produzidos, muito bem gravados e muito fortes. O clipe de Arise até hoje nunca passou na MTV dos EUA, por alegarem que é muito "pesado" (homens cricificados com máscaras de gás, fogueiras... foi gravado naquele deserto que o Charles Manson sentou o dedo nos hippies).
Mesmo assim, um vídeo que marca aquela época, e até hoje emociona um fã de metal daquele princípio de anos 90 é Orgasmatron tocada no lendário show gratuito da praça Charles Miller, em 11/05/1991 (onde um fã foi assassinado durante o show, em circunstâncias até hoje obscuras). Até eu que nem estava lá sinto algo diferente quando falam desse evento. Gravaram justamente Orgasmatron, que ficou de fora do “Rough Mixes”. Simplesmente animal.



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