Over-tunes
Por alguns trocados, só coisas de qualidade!

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Motörizer

Categoria: , , , , por Henrique Affonso de André - quarta-feira, junho 24, 2009
Falar de Motörhead dispensa frescuras. Um tapão bem dado na orelha é a melhor analogia ao que sinto quando ouço. E assim é o novo disco da banda liderada por sir Ian Fraser Kilmister, aka Lemmy, lançado este mês pela Steamhammer/SPV. Um "pédovído". Motörizer, é um disco do Motörhead. Não, não é pleonasmo. O Motörhead é uma daquelas bandas que não muda em nada sua sonoridade, seu estilo ou sua idéia de música (como acontece também com o Mercyful Fate ou com Ramones no passado). E é fodão justamente por conta disso. Pesado e rápido, difícil de escolher uma música para destacar e até uma injustiça com a qualidade do disco todo.
Mesmo assim, para que se apresente o disco, ouça (pode procurar no youtube, já está tudo disponível) a primeira, Runaround Man, pelo tabefe já de cara, Rock Out (vídeo abaixo) e English Rose, que é um rock'n roll daqueles que nos remetem às origens do rock e nos fazem por alguns minutos esquecer os fresnos da vida. Prova irrefutável que para se fazer rock de qualidade não é preciso inventar moda: basta um baixo, uma bateria, uma guitarra e ter tesão no que se faz. E no caso do Motörhead, maciças doses de conhaque e uma carga extra de cigarros.
A capa do disco ficou muito bonita. É um brasão de armas estilizado, tendo em cada um de seus quadrantes o símbolo da nação de origem de cada um dos integrantes: Inglaterra (Lemmy), Suécia (Mikkey Dee) e País de Gales (Phil Campbell), tendo no quadrante nordeste o "War-Pig" (caveira símbolo da banda).





"Runaround Man" — 2:57
"Teach You How to Sing the Blues" — 3:03
"When the Eagle Screams" — 3:44
"Rock Out" — 2:08
"One Short Life" — 4:05
"Buried Alive" — 3:12
"English Rose" — 3:37
"Back on the Chain" — 3:24
"Heroes" — 4:59
"Time Is Right" — 3:14
"The Thousand Names of God" — 4:33

 


Problemas técnicos!

Categoria: , , , , , por Ênio Vital - domingo, abril 26, 2009

Pois é, o template do blog bugou ou saiu do ar e estamos com essa versão genérica e provisória.
O blog também está meio abandonado. Né, Cebola? Né, Pierre? :P

Porém, nem tudo está perdido! Muito pelo contrário! Acabo de instalar internet em casa após inúmeros problemas com a NET aqui de São Paulo, logo logo o blog voltará a estar recheado de informações fresquinhas!

Fiquem atentos, essa semana vem um roteiro nosso sobre a Virada Cultural em São Paulo, comentando tudo o que você precisa saber! Posso garantir que, além disso, virão coisas bem interessantes, só não adiantarei para manter a surpresa!

Isso é tudo pessoal!

Valeu!
 


OVER-TUNES: UM ANO!

Categoria: , , , , , por Ênio Vital - quinta-feira, novembro 20, 2008
O OVER-TUNES nesse último sábado, dia 15 de novembro, completou um ano de vida. E, este post, tem como intuito passar algumas informações que ocorreram durante esse ano em que nos dedicamos a música.

Tivemos 53 postagens das quais 27 foram de resenhas de albuns que consideramos interessantes. Uma média boa de cada dois posts um ser uma resenha.

Desde que o sistema de comentários ficou habilitado no começo de Agosto, tivemos 58 comentários.

O primeiro semestre de vida do blog foi feito por mim e o Pierre(o outro fundador), o segundo semestre convidamos dois amigos, Henrique Cebola e o Mestrolho, para ajudar a dar mais volume ao blog. Tivemos contribuições esporádicas de outros amigos como: Caio Proença, Eduardo "Durinha" Borgato e Cassius Devazzio.

O Blog está chegando na casa de 9.000 visitas. Possuímos uma audiência fiel que varia de 600 à 800 visitações por mês de pessoas bacanas. Habitualmente, essa variação se constrói pelo volume de informação que o blog entrega.

Não divulgamos nosso blog e nem possuímos grandes amigos da blogesfera que nos seja irmão-de-link logo isso é percebido pela origem das nossas visitações.

Nosso carro-chefe(36%) de visitação é o uso de imagens que - na maioria das vezes - são tiradas por nós ou scaneadas de revistas de Música que as pessoas procuram por google ou afins e acabam aqui caindo aqui. Em seguida, com 22%, são os fiéis que acessam diretamente pelo nosso site e outros 12% migram do orkut para cá(talvez, entre no perfil de algum escritor e caí para cá).

Nunca tivemos preocupações com isso. Estamos aqui por pura e verdadeira devoção pela música.

Bom, isso é o que aconteceu até hoje.

Projeto para o próximo ano: termos um domínio .com ou .net, um design novo, uma maior cobertura de shows e - quando possível - entrevistas!
 


Um estilo de vida

Categoria: , por Henrique Affonso de André - segunda-feira, setembro 22, 2008
Em 2005 eu era um estudante atrasado e bissexto do curso de Letras da UFSCar. Minha turma já se formara, e eu ainda corria atrás de disciplinas que deixara pra trás. Na época estava trocando a redação de um jornal após passar no concurso para a administração da UFSCar.
Éramos uma turma pequena mas intensa. Andávamos em bando, como convém. Poderia escrever particularidades de cada um dos membros dessa laia, mas seria enfadonho. O que interessa é que eu, Chileno, Pira, Diego, Luizão, Douglas, Eric, e Tauan formamos um grupo que vivia num cativeiro (uns permanentemente, outros como sócios remidos) chamado carinhosamente República Abraço Amigo, o local que considero até hoje a mais nojenta associação humana desde o Mercado de Peixes de Paris no século XVIII. Havia mais gente associada, como o monstruoso Rick (The Butcher), Christian Cobra, entre outros. Basicamente era isso
Como vivíamos e tínhamos valores bem diferentes do senso comum do estudante da UFSCar daquela e dessa épocas (micareta, bermudas e chinelos coloridos), mas éramos entusiastas do esporte da Universidade, tentamos, com pouco sucesso, formar uma torcida. Os ULTRAS 235 (ultras são como são chamados os grupos de torcedores europeus, num termo usado primeiramente pelos italianos, e originalemente, se não me engano, os tifosi da Juventus de Turim; 235 é o km onde fica a UFSCar). Fizemos bandeira, camisetas, andávamos com as roupas, inventamos cantos, mas nunca nos agrupamos decentemente nas arquibancadas.
Um dia, fomos obrigados a assistir a uma palestra sobre um assunto que não nos interessava. Como aquele modo ultra/abraço amigo já se tornava um estilo de vida que adotávamos, resolvemos criar um hipotético curso sobre Barbarismo (pois alguns diziam que nossos modos de vida se assemelhavam aos dos guerreiros bárbaros). Misturamos aspectos históricos daqueles povos com abordagens atuais, e eis que construímos a grade curricular deste curso:

Curso de Barbarismo

Esta é a proposta de Grade Curricular do Curso de Cultura Bárbara da UFSCar, desenvolvido pelos professores Henrique Affonso de ANDRÉ SOBRINHO e Tauan Fernandes TINTI, aprovado pelos professorees Danilo RANGEL, Douglas PINO e Luiz Henrique SILOTO. Está sujeito a alterações.

Primeiro Semestre
História das Civilizações Bárbaras 1
Truco 1
Palavrão Básico
Asseio e Higiene: limites humanos
Evasão de Aula Chata Básica
Introdução ao Álcool
Prática Desportiva (ênfases: Muay Thai, Sambo e Jiu-Jítsu)

Segundo Semestre
Invasão de Castelos 1
Depredação 1
História das Civilizações Bárbaras 2
Explosivos e Demolição Básica
Adoração a deuses pagãos
Indumentária de Grupos Sociais Marginalizados
Briga aplicada ao bar

Terceiro Semestre
Truco 2
Físico-química aplicada à cerveja
Postagem no orkut para semi-analfabetos
Fundamentos da Caça e da Pesca
Estatística Bayesiana aplicada ao cálculo de churrasco
Contenção de Urina
Depredação 2

Optativas:
Carne, carvão e sociedade
Mitologia Nórdica

Quarto Semestre
Safári
Invasão de Castelos 2
Técnicas básicas de aproximação brutal ao sexo oposto
Resistência ao álcool
Mecânica Automotiva
Estrutura e Funcionamento das Torcidas Organizadas Brasileiras
Evasão de aula chata: ameaças e espancamento

Quinto Semestre
Chuck Norris: importância no pensamento contemporâneo
Tumultos e confusão em multidões: conceitos
Alimentação não-saudável
Literatura bárbara: Lance, Placar, Playboy, Sexy, Quatro Rodas e Agora São Paulo
Ganguismo: utilização do conceito direita/esquerda

Sexto Semestre
Sexo oposto: manutenção do vínculo não-público
Viadagem e Problemas Psicossociais
Técnicas de Eletricidade (Ênfases:- Automotiva: Bateria, Relê, Chicote, Escova, Alternador e Fiação- Civil: Fiação, disjuntores, lâmpadas e tomadas)
Violência nas Revoluções Modernas
Estágio para o TCC (Estágio supervisionado: Amaral; Bar do Ney e Coyote)
Retórica Avançada 1: Futebol, Religião e Política

Sétimo Semestre
Filosofia e Ética: "Essa breja é minha"
Admoestação aplicada à autoridade: churrascos
Introdução e desenvolvimento
Göethe aplicado à ressaca moral
Graus de rebateção à ressaca: cerveja, pinga e vinho
Filosofia de Boteco: Retórica e Hermenêutica

Optativas:
Spinoza aplicado à discussão de religião
Maquiavel e aplicações ao futebol
Marx - Mussolini: divergências e similitudes


Oitavo Semestre
Fundamentos do vômito forçado
Espancamento (Trabalho de Graduação)
Krill, Schin e Brahma: graduação, divergências e similitudes
Manhã seguinte: encarar sem ser rude
Retaliação aplicada à mágoa
Humilhação e Manutenção de Amizade
Regeneração avançada de fígado

Nono Semestre
"Se eu não fiz eu não lembro": meditação para recuperação da memória
Fundamentos: filar cigarros e desculpas aplicados à dureza
Fenomenologia aplicada ao sumiço da cerveja
Economia Básica aplicada à poupança de moedas
X-Tudo: técnicas fonoaudiológicas de deglutição
Fêmeas com cara de cu: abordagem, captura, consumação e divulgação
Material Pornográfico Virtual: como esconder nos estágios
Grunhidos e Plurissignificação

Décimo semestre
Trabalho Interdisciplinar de Conclusão de Curso
Ênfases
Exatas e Tecnológicas:
- Química aplicada ao álcool
- Química: carvão, etanol e condições climáticas
- Elétrica: geladeira, caixas de som
- Engenharia Automotiva: rendimento e performance
- Engenharia de Materiais: drinks e batidas
- Engenharia de Produção: Logística aplicada à Organização Clássica e Moderna de Churrascos
- Engenharia Civil aplicada à demolição e à depredação

Biológicas:
- Terapia Ocupacional: ressaca
- Fisioterapia: brigas
- Medicina Legal: brigas
- Urologia: DST's
- Medicina Preventiva: Profilaxia

Humanas:
- Lingüística: Palavrão, grito, grunhidos e análise do discurso
- Filosofia: Retórica e Argumentação
- Antropologia: Formação do Bárbaro Moderno
- Ciências Políticas e a liderança
- Psicologia e a obtenção através de humilhação sem uso de força física
- Sociologia: Torcida: diferenciações entre os modelos Brasileiro (organizadas e uniformizadas), Europeu (ultras e hooligans) e Argentino (barra bravas)
Educação Física:
- Briga
- Futebol
- Baralho
- Pebolim
- Sinuca
- Tiro ao Alvo

O Luizão propôs como patrono o Mestre Luiz Felipe Scolari. Na época rolou aquela definição sobre ele do The Guardian: "Brasileiro machão que acredita que homens são homens, vacas são café da manhã e Pinochet era um sujeito legal".

 


Piacere nell'uccisione ou Vergnügen zu töten

Categoria: , , , , por Henrique Affonso de André - quarta-feira, setembro 17, 2008
“Pleasure to Kill”, segundo álbum dos alemães do Kreator deveria ser dado como aula de metal pesado àqueles moleques que consideram excelentes bandas como Korn e Slipknot. Riffs pesadíssimos, solos de guitarra característicos e vocal característico, com um forte sotaque e uma inconfundível cadência alemã de Mille Petrozza, bateria rápida e técnica de Jürgen “Ventor” Reil, e uma linha de baixo forte que não se contenta em apenas acompanhar a guitarra, segurando a harmonia das músicas de Rob Fioretti. (Detalhe inútil mas curioso: dois dos 'alemães' são de origem italiana; Mille Petrozza é descendente de calabreses e isso definitivamente explica sua sutileza ao cantar e tocar).

Uma obra que pode ser considerada o limiar entre o thrash e o death metal. O Kreator, em minha opinião, pode transitar sem problemas entre tais estilos (rótulos?). Pleasure to Kill transcende tais categorizações.

Uma tosca introdução de solo de guitarra, sob fundo de um ‘crescendo’ de guitarras e sintetizadores, com anticlímaxes desconexos. Seria desnecessário não tivesse tornado-se clássico. O que se segue a pancadaria Ripping Corpse, que não seria estranho se estivesse inserida no meio de Morbid Visions do Sepultura (uma banda que assume a influência grande de Kreator em sua obra).

Outra faixa que a meu ver merece destaque é a faixa-título. Mille Petrozza parece dar um discurso, enquanto os instrumentos andam a uma velocidade-limite.
Logo após, em Riot of Violence, uma surpresa: o vocalista é o baterista Ventor, que dá uma aula de coordenação motora, tocando com segurança enquanto canta. Poderia, muito bem, ser vocalista de qualquer banda se desistisse das baquetas.

As músicas mantêm a qualidade pó todo o disco, não soando em momento algum monótono. Vale destacar que “The Pestilence” inspirou o nome da primeira banda de Andréas Kisser, antes deste se transferir ao Sepultura (outra mostra da influência dos alemães sobre os brasileiros). “Under the Guillotine” fecha com maestria esta obra prima do metal mundial. Um disco de mão cheia.

Vale destacar que em remasterizações recentes, foram incluídas as faixas do EP “Flag of Hate”, sendo estas “Flag of Hate”, “Take their lives” e “Awakening of the gods”.



1 - "Choir of the Damned (Intro)" – 1:40
2 - "Ripping Corpse" – 3:36
3 - "Death Is Your Saviour" – 3:58
4 - "Pleasure to Kill" – 4:11
5 - "Riot of Violence" – 4:56
6 - "The Pestilence" – 6:58
7 - "Carrion" – 4:48
8 - "Command of the Blade" – 3:57
9 - "Under the Guillotine" – 4:38

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Os quatro rapazes de Liverpool

Categoria: , , , por Henrique Affonso de André - sexta-feira, julho 25, 2008
Moedor genital, regurgitação dos miúdos, colônia de larvas, Supurado (Podre até a ferida), Órbitas oculares carbonizadas, Destroncamento frenético, Trato anal vomitado, Dia da infecção, Vísceras fermentando, Excretado vivo, Supuração, Feticídio, Gestação intra-uterina assada no microondas, Banquete na matança e desmembramento, Cavidades arrebentadas, Psicopatologista, Queimado até ficar crocante, Excruciação nojenta, Manifestação de verrucrose na uretra, Mastigador de gilete enferrujada, Excretor de muco-purulência e Cagada maligna.
Eis as traduções dos singelos títulos de “Reek of Putrefaction”, o debut do Carcass, lançado em 1988 pela Earache Records (isso, mesmo: uma das maiores gravadoras do metal chame-se “Dor de ouvido”). Essa banda de Liverpool praticamente inventou o grindcore e o gore metal (death metal sobre temas repugnantes).
Para se ter uma idéia do som do disco, ele teve de ser prensado em vinil numa altura diferente dos discos “normais”, pois havia o risco das linhas de baixo ficarem inaudíveis quando executadas, de tão graves.
A capa é um primor: uma colagem de fotos de autópsias recortadas de revistas de medicina. Talvez hoje este tipo de coisa não assuste mais tanto, mas imaginem isso em 1988, quando o máximo que o metal chegara em sua luta em chocar o mundo foi falar do diabo e assassinato.
É uma música muito bem feita. Imaginem uma introdução de guitarra, baixo e bateria bem tétricas, executadas com muita técnica e rapidez e eis que de chofre se inicia uma máquina de descaroçar algodão, um Massey Fergunson 275 desregulado arando terra seca e uma briga de um porco velho com uma cadela rotweiller tentando proteger os filhotes, com o fundo músical de um death metal de primeira. É mais ou menos isso. Ideal para tocar na festa de fim de ano da firma.
Muitos dizem: “ah, isso é uma porcaria! Qualquer imbecil faz esse barulho” Que nada, é um álbum excelente, coisa de quem sabe tocar. É óbvio que quem é leigo vai considerar uma merda, mas só para se ter uma idéia, o DJ Jonh Peel, da Radio One da BBC (uma espécie de Vitão Bonesso da Inglaterra), o considerou o melhor álbum de metal de 1988.
O Carcass passaria ao longo de sua trajetória por uma mudança que cumlminaria no que foi chamado de “death metal melódico”, até a banda se dissolver em meados da década de 90 (em breve escreverei sobre Heartwork, o penúltimo e meu álbum preferido da banda).
Ano passado a banda se reuniu para alguns shows, e pelo visto perceberam que é um bom negócio (farão shows na Austrália no segundo semestre, quem sabe ano que vem não rola Brasil?).
Depois do Carcass, muitos trataram dos mesmos temas ou fizeram um som muito mais extremo (alguns chegando àquele nível de “qualquer imbecil faz esse barulho”). Como sempre, é melhor ficar com os originais. (Pagando aposta com o Ênio)

1.Genital Grinder 01:32
2.Regurgitation of Giblets 01:24
3.Maggot Colony 01:37
4.Pyosisified (Rotten to the Gore)02:55

5.Carbonized Eye Sockets 01:11
6.Frenzied Detruncation 00:59
7. Vomited Anal Tract 01:45
8. Festerday 00:22
9. Fermenting Innards 02:35
10. Excreted Alive 01:21
11. Suppuration 02:19
12. Foeticide 02:46

13.Microwaved Uterogestation 01:24
14. Feast On Dismembered Carnage
01:27
15. Splattered Cavities 01:54
16. Psychopathologist 01:18

17. Burnt to a Crisp 02:43
18. Pungent Excruciation 02:31
19. Manifestation of Verrucose Urethra 01:02
20. Oxidised Razor Masticator 03:13
21. Mucopurulence Excretor 01:09
22. Malignant Defecation 02:14



 


Do Brasil para o mundo

Categoria: , , , , por Henrique Affonso de André - terça-feira, julho 22, 2008

Escrevendo novamente de maneira autobiográfica, me lembro de uma tarde entre 1993 e 1994 em Monte Alto. Tinha saído da quinta e começaria a sexta série. Já ouvia Iron Maiden por influência do Dudu e Black Sabbath e Deep Purple através do meu pai. Eu e meu primo Luccas Nunes (o Foca), que à época aprendia bateria, fomos a pé até à casa da nossa prima Natiele, que estava aprendendo a tocar guitarra e ganhara uma Jackson preta. Nos mostrou, tocou Smoke on the Water com ela desligada, uma guitarra linda, me impressionei com o brilho, as cordas prateadas... mas depois não tínhamos muito o que fazer e fomos para o quarto do irmão dela Murilo (campeão brasileiro de motovelocidade de 2006, Murilo Colatrelli). Mexemos em uns CDs, e eu peguei uma caixinha onde lia-se ARISE - SEPULTURA.
Eu sabia que o Sepultura era a maior banda de rock pesado brasileira, mas acho que nunca tinha escutado uma música sequer. Coloquei no aparelho, aquela intro cavernosa, aquela cavalgada inicial e “tan-tantantan-taaan”. É um momento da minha vida que não esqueço, pois a partir dalí eu virei um fã de metal. Eu já gostava, mas depois daquele momento, eu vendo meus dois primos balançando a cabeça juntos comigo, olhando um pro outro com aquela cara de “puta que pariu!”... depois daquele dia eu passei a usar preto, camisa de bandas, tentei deixar o cabelo crescer. Arise, do Sepultura, a música.

Arise é um disco de um peso incrível. Como ele, o Sepultura deixou de ser a banda brasileira que buscava espaço lá fora para ser uma banda do mundo inteiro que saiu do Brasil. Se o Schizofrenia bateu às portas, o Arise arrombou os portões do resto do mundo para a banda.
O disco é coeso, as músicas parecem grudadas umas as outras (a obra, porém, em momento algum é monótona). As intros – além da clareza da gravação - são um dos aspectos que atestam a enorme qualidade da produção. Na época para mim era novidade, depois que fui vendo todos estes pormenores. Se à época eu entendesse, seria algo que me deixaria orgulhoso por ser brasileiro.
Consegui, depois de muito tempo, descolar uma prensagem que saiu às pressas do Arise, sem mixagem: o lendário “Rough Mixes”. Isso ocorreu pelo fato do Sepultura ter sido chamado para tocar no Rock in Rio 91 e o disco ainda não estar pronto. Saiu do jeito que estava pra não perder a oportunidade, saindo a versão “de verdade” uns meses após. Está aqui em casa. Capa tosca, som toscão, uma raridade que apenas fãs conseguem apreciar a qualidade. Além disso, não tem o cover de Orgasmatron que fecha o álbum oficial (Orgasmatron é um dos raros casos em que um cover acabou se tornando mais clássico da banda que fez a versão do que a música original, tanto que por mnuito tempo o Sepultura abriu e fechou shows com ela).
Os dois vídeos clipes gravados nos Estados Unidos (Arise e Dead Embryonic Cells) são também muito bem produzidos, muito bem gravados e muito fortes. O clipe de Arise até hoje nunca passou na MTV dos EUA, por alegarem que é muito "pesado" (homens cricificados com máscaras de gás, fogueiras... foi gravado naquele deserto que o Charles Manson sentou o dedo nos hippies).
Mesmo assim, um vídeo que marca aquela época, e até hoje emociona um fã de metal daquele princípio de anos 90 é Orgasmatron tocada no lendário show gratuito da praça Charles Miller, em 11/05/1991 (onde um fã foi assassinado durante o show, em circunstâncias até hoje obscuras). Até eu que nem estava lá sinto algo diferente quando falam desse evento. Gravaram justamente Orgasmatron, que ficou de fora do “Rough Mixes”. Simplesmente animal.



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Dê um tapa na peruca

Categoria: , , por Henrique Affonso de André - segunda-feira, julho 21, 2008
Nem me lembro a primeira vez que ouvi Hüsker Dü, nem quem me apresentou. Mas sei que foi em 1996 (quando o Ênio ainda se mijava nas calças e o Pierre era o geninho da classe no Objetivo), quando eu recebia um caminhão de informações e tinha pouco tempo pra digerir. Com certeza foi em alguma fita cassete, e ouvi no meu quarto. Me lembro o álbum: “Flip your Wig”, que na capinha estava escrito “Flip Your Wing”, com um esmero na arte que só aqueles que são da época das fitinhas sabem.
Até hoje escutando suas músicas eu me transporto àquela época. Magro como uma vassoura, camisa do Slayer, calça jeans rasgada, All Star de cano baixo, me achando o fodão. Fumava escondido de vez em quando, bebia quando tinha alguma coisa da classe ou quando matava aula e corria pra casa do Matioli, e tomava do barrilzinho do pai dele. Depois de uma sexta-série onde conheci, e uma sétima onde assumi um estilo, o Hüsker Dü provavelmente foi o que me desbitolou do metal/hardcore/crossover. Não era – na minha opinião da época – nem tão pesado e nem tão fraca como aquelas bandinhas “alternativas” chatas pra burro que nem lembro o nome, que pareciam todas trilha sonora do Beverly Hills 90210 (a.k.a Barrados no Baile).
Naquela época não internet só existia nas universidades, numa lerdeza inimaginável nos dias atuais. Comprava a Rock Brigade e lia Bizz dos amigos, e esse era a informação, além de uns fanzines e revistas velhas que passavam de mão em mão. Por um bom tempo acreditei que o Hüsker Dü era uma banda contemporânea. A primeira vez que li algo sobre a banda foi que um integrante do Anthrax - se não me engano o Charlie Benante - tinha um projeto paralelo que era um cover do Hüsker Dü chamado Dü Hüskers ou um álbum tributo (tem horas que me espanto com a capacidade de lembrar coisa inútil que tenho). Assisti também na mesma época este clipe que agora posto no programa do Fábio Massari na MTV.
Depois de muito tempo soube que a banda acabara em 1987, e que a fitinha que eu tinha era de 1985. Com internet fácil, Napster e o escambau, ficou fácil de saber. Mesmo assim, quando ouço ainda parece que não sei direito o que é, que estou sem barriga no meu quarto com um pôster do Santos Campeão Paulista de 1984 e outro do Black Sabbath na parede.
Quanto ao disco, ouça. Nada tenho a comentar além do fato dele ser fodido.




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Grip Inc. – Power of Inner Strenght

Categoria: , , , , por Henrique Affonso de André - sexta-feira, julho 04, 2008


Em maio de 1992, Dave Lombardo não queria entrar em tour com o Slayer. Não queria levar a mulher grávida à estrada, e tampouco perder o nascimento de seu primogênito, entre vários outros desgastes naturais, que fizeram com que ele deixasse a banda (para seu lugar, Tom Araya, Jeff Hanneman e Kerry King chamaram o ex-Forbideen Paul Bostaph).
Lombardo, logo após o nascimento do filho (afinal, é preciso ganhar o leite das crianças) convocou o guitarrista do Voodoocult e produtor de discos Waldemar Sorychta, alemão, a fim de montar uma banda. Chamaram o vocalista Gus Chambers e o baixista Jason Viebrooks para completar o time, e entraram em estúdio para compor.
Dave Lombardo dispensa comentários quanto à sua técnica. Waldemar Sorychta é um guitarrista extremamente técnico. Além disso, que já ouviu algum disco que ele produziu sabe do que ele é capaz com os botões (aconselho Sin/Pecado do Moonspell, ou Ceremony of Opposities, do Samael). Gus Chambers, apesar de então não ser conhecido, caiu como uma luva na sonoridade da banda. Viebrooks não fez feio, mas não se mostrou um músico acima da média (talvez por isso tenha sido o único membro da banda a ser substituído durante sua trajetória, em 1999).
Em 1995, The Power of Inner Strength foi lançado. Um adjetivo cabível a este disco é “forte”. Muito bem executado, produzido e organizado. Pesado daquela forma que enche o ouvido de quem gosta de música pesada. Uma sonoridade própria. As linhas criadas pelos quatro harmonizaram-se de forma que logo após o lançamento o disco já era celebrado pela crítica, que o esperava ansiosamente e, além disso, as esperadas comparações fariam com o Slayer não foram feitas.
Savage Seas (Retribution) foi a música que fez mais sucesso, talvez por ela resumir o resto do disco quanto à sonoridade. Porém, a minha preferida deste álbum é a fantástica “Hostage to Heaven”, que tem, na minha opinião, um dos mais fodido solo de guitarra de todo o heavy metal dos anos 90 (e, porca putana, falo isso da década de 90!!!), além de conter a frase que entitula o disco. O vídeo abaixo tem uma versão ao vivo dela, onde se perde um pouco do brilho do som de estúdio, mas compensa pela energia de um show. No final a negada pede Slayer, o vocalista apela, manda um vai tomar no cu amplo, geral e irrestrito e vaza.



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