Over-tunes
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Valsa com Bashir

Categoria: , , , , , , , por joselito - quinta-feira, maio 28, 2009

Semana passada fui assistir "W", de Oliver Stone, filme baseado na vida e obra (obra?) de George W. Bush. O filme não me surpreendeu muito. Bush foi retratado de uma maneira que parece ser um pouco distante da real. Para resumir, o filme dá uma idéia de um protagonista ingênuo, ansioso pela aprovação do pai e na maior parte do tempo manipulado como fantoche por outros integrantes do governo, como Condoleeza Rice, Dick Cheney e Donald Rumsfeld. Nas horas em que isto é retratado há a impressão de que nem tudo está perdido, devido à ótima atuação de Richard Dreyfuss (fazendo um Dick Cheney praticamente idêntico), entre outros.

Mas o motivo deste post é outro. "W" com certeza foi uma decepção, mas durante o trailer, uma animação me chamou a atenção. Desde "O Homem Duplo" eu já era fã de filmes que utilizam a rotoscopia, técnica em que as cenas passam por um efeito gráfico de modo a parecerem animação, e à primeira vista, "Valsa Com Bashir" (2008) também era um exemplo disso. Mas tal semelhança se revelou fruto da perfeição com que as cenas foram desenhadas. Dá uma olhada.


SINOPSE

O filme conta a história de um soldado israelense que participou da invasão do Líbano, no final da década de 1980. A narrativa se apresenta em forma de relatos do protagonista ao diretor Ari Folman. Tudo isto numa mesa de bar, a partir de uma conversa que começa com o solado contando sobre um pesadelo no qual é perseguido por uma furiosa matilha de 26 cães. Nesta amostra de 1:45 minutos do filme já dá para notar o uso extenso de recursos visuais incríveis, cenas fortes e uma edição esperta. Se quiser, você pode conferir todo o resto 1. aqui, e 2. aqui. De nada.

O filme ganhou o Golden Globe de melhor filme estrangeiro e foi indicado para vários outros prêmios cinematográficos, entre eles, Cannes.
 


Fechamento para balanço 2008

Categoria: , , , por Ênio Vital - terça-feira, dezembro 23, 2008
A idéia inicial era fazer uma lista com os cinco melhores (como no ano passado, na qual, porém, acabou entrando de última hora o do Of Montreal que, mais tarde, eu me arrependi de não ter colocado em primeiro da lista). Depois, graças à grande quantidade de bons álbuns surgidos, esse número subiu para dez. E, quando estava se firmando em quinze, o Ênio me tesourou e pediu para fechar nos dez, mesmo.

Então vamos lá, em ordem decrescente:

10) TV On The Radio – “Dear Science”
Download via 4shared

Que o TV On The Radio é uma banda brilhante, das melhores da atualidade, não é novidade para ninguém.

Há dois anos, o álbum “Return To Cookie Mountain” foi o melhor álbum do ano, simplesmente moendo a concorrência. Era daqueles álbuns que você fica até triste quando ouve, pois sabe que dificilmente surgirá algo igual por um bom tempo.

Isso, no caso deles, talvez tenha sido um problema.

Eu sabia que não tinha como esse novo álbum ser ruim. Óbvio que, se eles chegassem e gravassem um monte de merda, ainda assim seria uma merda boa, porque não tem como sair coisa ruim desses novaiorquinos.

No entanto, as comparações com o álbum anterior são absolutamente inevitáveis e é inegável que eles deixaram a peteca cair um pouquinho, por isso eles ficam somente com o décimo lugar.

Óbvio que o álbum é melhor do que 99% do que as demais bandas estão fazendo por aí, mas, em se tratando de TV On The Radio, isso serve apenas consolo quando eles não conseguem repetir o brilhantismo de um álbum anterior.

O som desses caras é simplesmente impossível de descrever. Acho que o mais perto que se pode chegar seria um black/gospel/eletrônico.

E, nesse álbum, eles mergulham ainda mais no black e até em algumas coisas trash (pelo menos eu acho, sei que tem gente que adora) dos anos 80.

Só pela “pancadaria suave” de “Halfway Home”, “Shot Me Out” e “DLZ”, já não teria como esse álbum não figurar entre os melhores do ano. Mas ainda tem a “davidbowiece” de “Crying”, o groove de “Dancing Chooes” e “”Red Dress” e até o pop de “Golden Age”.

Seria brilhante se fosse de qualquer outra banda. Em se tratando do TV On The Radio, o melhor que consigo utilizar é “correto”.


9) Vivian Girls – “Vivian Girls”
Download via Rapidshare

Como é bom de vez em quando aparecerem bandas como as Vivian Girls para a gente lembrar que criatividade e virtuosidade nem sempre andam de mãos dadas...

Que elas me desculpem, mas não tem como eu não me utilizar do adjetivo “tosco” para definir o som delas – no bom sentido, é claro!

“Tosco” a la Ramones, “tosco” a la Beat Happening, “tosco” a la The Shaggs, ou seja, “tosco” como tudo aquilo que a gente sempre adorou na vida!

“Tosco” no sentido de simples, de certeiro, de fácil, de preciso. De pensarmos “como não pensamos nisso antes, se era tão óbvio?”.

Lembro que a primeira ou a segunda vez que eu ouvi falar nelas, vi uma foto delas com o Thurston Moore. Pô, pensei, quem recebe a benção de um dos deuses da música não tem como dar errado...

“Tell The World” é, sem dúvida, uma das músicas do ano. Simplesmente sensacional. De ter vontade de voltar àquela época em que a gente descobriu os Cramps e ficava em casa, no quarto, trancado, ouvindo sem parar... É punk, é diversão e é tão simples... Menos é mais...

E o pop perfeito de “Where Do You Run To”? E a simplicidade de “Damaged”?

Se a fórmula não fosse um pouco repetitiva, elas com certeza estariam bem acima disso no ranking dos melhores. Mas uma nona posição em um ano como esse não é de se jogar fora, é?


8) Department Of Eagles – “In Ear Park”
Download via Mediafire

Mudando completamente de rota (sem, contudo, sair de Nova Iorque – apenas atravessando a Ponte do Brooklin – aliás, agora que eu percebi que as três primeiras bandas são de lá...), o Department Of Eagles aposta nas melodias... E que melodias!

O álbum chega a ser difícil no começo. As músicas são bastante diferentes entre si e o ouvinte chega a ficar perdido nas mudanças de direção.

Começa quase folk com a faixa título, pula para um som Motown com “No One Does It Like You”, chega na balada arrasa-quarteirão “Phantom Other” e o duro é continuar daí.

“Phantom Other” provavelmente é a música do ano. Fiquei mais de um mês sem conseguir passar à quarta faixa... Chegava nela e eu ficava voltando para ouvi-la novamente... Que música!

Mas, após muito tempo, quando se consegue passar dela, ainda se tem diversas surpresas agradáveis: da “música infantil” “Teenagers”, à balada que faria companhia à segunda faixa como melhores do álbum “Around The Bay”, ao semi-experimentalismo de “Classical Records”, à cadência “thebandiana” de “Waves Of Rye”, à rápida e certeira “Therapy Car Noise”.

Um álbum complexo, a ser degustado aos poucos. E, no final, é inevitável arrepender-se por não ter se apaixonado à primeira vista.


7) MGTM – “Oracular Spetacular”
Download via Mediafire

Tá, eu sei que você já está torcendo o nariz (né, Ênio?). MGMT na frente de TV On The Radio??? Que porra é essa???

Simples, eu adorei de cara o psicodelismo “flaminglipstico” dos caras...

Vão querer tirar o brilho desse álbum só porque ele é “farofa”, o Lúcio Ribeiro gosta e os caras são mais moleques que você???

No fim das contas, o que a gente quer é abrir um sorriso no final de uma música e ter vontade de voltá-la do começo, não? Então... Aqui, é duro separar as canções que não são de se sorrir...

Ta certo que o clima ripongo é um pouco previsível e apelativo, mas a seqüência “Time To Pretend”/“Weekend Wars”/“The Youth”/“Electric Feel”/“Kids” é de tirar o fôlego… “Hit” atrás de “hit”.

E ainda tem “Pieces Of What”, “Of Moons, Birds & Monsters” e “The Handshake”…

Ao contrário do Department Of Eagles, é um álbum fácil do começo ao fim. Muito provavelmente este foi o álbum que eu mais ouvi este ano.

O que não dá para entender é como eles conseguem fazer um show tão meia-boca com um repertório brilhante desses...


6) Of Montreal – “Skeletal Lamping”
Download via Mediafire

Esse álbum, aqui, na sexta posição, talvez seja um “mea culpa” por ter colocado o delicioso álbum anterior, “Hissing Fauna, Are You The Destroyer?”somente na sexta posição no ano passado. Logo em seguida de ter feito a lista, eu viciei naquele álbum de uma forma que me fez me arrepender de não tê-lo colocado na primeira ou na segunda posição (afinal, os Battles também fizeram bonito com o “Mirrored”). Tanto que hoje provavelmente minha banda predileta seja exatamente o Of Montreal.

Neste caso, é inegável que a peteca caiu um pouco. Não é todo ano que uma banda consegue fazer um clássico como o do ano passado, a gente entende.

Mas a fórmula é inegavelmente brilhante. Costumo descrevê-los como um “Sgt. Peppers com elementos eletrônicos”. Mas já ouvi quem colocasse até mesmo ABBA na fórmula. Tudo isso no melhor sentido que se possa extrair.

A exemplo do Department Of Eagles e ao contrário do “Hissing Fauna, Are You The Destroyer?” (que eu julgava ser ultra-mega-blaster-pop), o álbum deste ano é bastante difícil no começo.

São quinze faixas, com várias mudanças radicais de ritmo em cada uma delas, o que faz parecer serem 100 faixas. Com isso, o disco só se torna “assobiável” lá pela décima audição. Mas aí a coisa fica assobiável MESMO, como tudo o que esses caras fazem.

Se no álbum do ano passado a gente tinha o pop perfeito de “Heimdalsgate Like A Promethean Curse”, “A Sentence Of Sorts In Kongsvinger” e “Bunny Ain't No Kind Of Rider”, a ultra-dançante-obrigatória-em-pistas “Gronlandic Edit” e a música que o Franz Ferdinand não escreveu “She's A Rejector”, neste álbum temos a quebradeira “Nonpareil Of Favor”, o delicioso dance pop de “For Our Elegant Caste” e “Mingusings”, a embasbacante “An Eluardian Instance” (o refrão mais grudento do ano – “Do you remeeeeeeeeember?”), a apoteótica “Triphallus, To Punctuate!”, a mezzo rollingstoneana, mezzo electropop “And I've Seen A Bloody Shadow”, além do “hit alternativo” “Id Engager”.

Repetindo o que eu falei no ano passado: mais um álbum para sair dançando ridículo no carro... Com um sorriso enorme na boca, que é o que essa banda tem as manhas de fazer com qualquer um que carregue um coração no peito.


5) Los Campesinos! – “Hold On Now, Youngster...” e “We Are Beautiful, We Are Doomed”
Download via Mediafire (Hold on...)
Download via Mediafire (We are...)

Sim, é isso mesmo, são dois álbuns da mesma banda em quinto lugar!

Acho que a última vez que eu tinha visto um impulso criativo em um espaço tão curto de tempo tinha sido com o Creedence Clearwater Revival, que, em dois anos e meio lançou cinco álbuns perfeitos na virada da década de sessenta para a década de setenta.

Sei que você não vai acreditar, mas a primeira vez que eu ouvi Los Campesinos! Eu lembrei da fase boa do Pullovers, especialmente do “Riding Lessons”. Antes de eles começarem com essa palhaçada de negar as origens, começar a cantar em português e renegar as músicas antigas (alguém aí também lembrou dos Maybees/Ludov?), fui absolutamente viciado neste álbum. Guitar rock com vocal dividido entre um homem e uma mulher.

No caso do Los Campesinos!, além dessa fórmula, há um apelo pop, no bom sentido, que faz com que eles também sejam viciantes. Não tem como não gostar dessa banda.

O primeiro álbum é uma sucessão de hits perfeitos “Death To Los Campesinos!”, “Broken Heartbeats Sound Like Breakbeats”, “Don’t Tell Me To Do The Math(S)”, “My Year In Lists” (esta, um semi-hit indie ultra grudento com letra “altafidelidadeana”) e “This Is How You Spell "Hahaha, We Destroyed The Hopes And Dreams Of A Generation Of Faux-Romantics"” correm o risco de grudar na sua cabeça por semanas...

Mas a coisa fica realmente interessante na faixa “You! Me! Dancing!”. Sabe aquelas músicas que dão vontade de chorar quando acabam? Que poderiam durar semanas em vez daqueles seis minutos e meio? É isso que acontece aqui... Tem uma introdução em crescendo, guitarras que grunhem lindamente, letra maravilhosa que (ao menos a mim) faz servir a carapuça (“If there's one thing that I could never confess/It's that I can't dance a single step”). Essa música é a prova de que o tempo é relativo. Seus seis minutos parecem passar em dez segundos.

E, quando a gente achava que eles já haviam nos dado tudo o que queríamos para este ano, eles vêm com um segundo álbum que não deixa a peteca cair. A faixa título, “You'll Need Those Fingers For Crossing”, “The End Of The Asterisk” e “Documented Minor Emotional Breakdown # 1” entrariam fácil entre as melhores do primeiro – afinal, por que não repetir uma fórmula que dá tão certo?

... E assim, temos uma nova banda favorita.


4) Born Ruffians – “Red, Yellow And Blue”
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O engraçado do Born Ruffians é que eu já ouvi todas as comparações possíveis e imagináveis com a banda. A que mais me chamou a atenção, de tanto que parece, ao menos em um primeiro momento, não ter nada a ver é com o Árcade Fire...

Isso só prova o quão inclassificável é essa banda. Não por ser “inovadora” ou algo do gênero. Muito pelo contrário. O som é até que bastante “óbvio”. “Obviamente bom”.

Começa blues com a faixa título e aí vem a segunda faixa, “Barnacle Goose”, com as boas esquisitices – o baterista parece um demente tocando (tal qual em “In A Mirror” e “Kurt Vonnegut”, adiante), acompanhando as quebradas da guitarra – quebradas repetidas mais adiante em “Foxes Mate For Life”.

Mas também tem pop perfeito – “Hummingbird” (com uma linha de baixo, se ainda não te pegou, ainda vai te pegar), “I Need A Life” (que faria com que eu apostasse todas as fichas como hit – que faz com que esta seja a banda que eu gostaria de ter lançado pelo meu selo esse ano, se eu tivesse um – como o foi com o Of Montreal no ano passado – imaginem um “cast” com essas duas bandas? Eu estaria bem, para falar o mínimo) e “Little Garçon” (com a letra mais grudenta do álbum).

E tem “animalcolletivadas” como em “Badonkadonkey” e “Hedonistic Me”.

Acho que esse é o disco mais perfeito de 2008 no quesito “não tem nenhuma música ruim”. Só não fica em primeiro desta lista porque a concorrência fica feia daqui para diante.

Espero que se confirmem os rumores e eles venham no ano que vem para o Brasil – o que é melhor, provavelmente com o Of Montreal. Com isso, já sabemos quais vão ser os melhores shows de 2009 por antecipação (juntamente com o Radiohead, com o Sonic Youth e com o Wilco, obviamente, se estes dois últimos vierem).


3) Vampire Weekend – “Vampire Weekend”
Downloa via Sharebee

Estes estudantes de Nova Iorque que se juntaram na faculdade para formar uma banda de nome esquisito tiveram a manha de trazer de volta uma mistura inusitada de indie rock com música africana que estava adormecida há tempos.

A fórmula está longe de ser original. Paul Simon já havia feito isso lá na década de 80. Mas, na época, a mistura da música afro era com o “pop rock” feito na época e não com o indie rock de que tanto gostamos hoje.

O resultado, neste caso, é um álbum deliciosamente pop, talvez o melhor álbum pop do ano.

De “Mansard Roof” a “The Kids Don't Stand A Chance” são 11 músicas com total potencial para ser singles.

Os destaques ficam por conta do hit afro-rockabilly “A-Punk”, a valsa afro-punk “M79” e a “adolescente” “Campus”, uma das melhores músicas do ano e provavelmente a que eu mais escutei.

Talvez eu só não o tenha eleito o disco do ano porque tem alguns deslizes (acho o reggae “One (Blake's Got A New Face)” bem chatinho) e porque, na era internet, um álbum lançado no longínquo mês de fevereiro parece ter sido lançado na idade da pedra, motivo pelo qual ele tenha sido deixado de lado em detrimento dos dois primeiros nesta reta final. Fazendo essa confissão, espero que eu fique com menos peso na consciência por tê-lo destituído do título.

Mas ele vale cada segundo de audição, sem sombra de dúvidas (o que eu sei que é dispensável dizer, pois, este, eu, você e todo o mundo já estamos cansados de ouvir).


2) Bon Iver – “For Emma, Forever Go”
Download via Mediafire

Se o Born Ruffians é o melhor no quesito “não tem nenhuma música ruim” e o Vampire Weekend fez o melhor álbum pop, o Bon Iver é sem dúvidas o melhor no quesito “beleza triste” e no quesito “rápido e certeiro”.

Esse álbum é lindo, lindo, lindo. Mas e triste, triste, triste. Se você tem coração fraco, mantenha distância. A probabilidade de ter de segurar as lágrimas para não passar vergonha em muitos e muitos de seus pontos é muito grande.

E o tempo aqui, novamente, parece ser relativo. Ta certo que o álbum é curto, mesmo. Mas parece que ele começa e já acaba, o que vai fazer com que você o volte novamente ao começo por diversas vezes.

É um disco, em suma, que vai fazer com que você se pegue por diversas vezes “pregando” para os seus amigos, como se fosse uma missão fazer com que mais e mais gente o ouça.

Reza a lenda que ele foi inteiro gravado após o artista por detrás da banda – Justin Vernom – isolar-se do mundo em uma cabana de seu pai em Wisconsin durante o inverno – e só sair de lá com o álbum composto e gravado – chegam ao absurdo de afirmar que nem comida ele levou e que teria que caçar para sobreviver.

O que saiu dessas sessões foram pequenas pepitas em grande parte acústicas e líricas como “Flume”, dolorida até os ossos, com um falso final maravilhoso, “Skinny Love”, provavelmente a música que você vai viciar em primeiro lugar, “Blindsided” e seu refrão maravilhoso, o country rock “neilyouguianofaseHarvest” “For Emma” (talvez a “menos acústica” do álbum) ”“Re: Stacks” e seu andamento lento delicioso, com um refrão quase samba-bossa.

Mas o ápice do álbum, para mim, é a dobradinha “Creature Fear”/”Team”. As duas músicas, que parecem uma só, evoluem, primeiramente, do nada para o refrão apoteótico absurdamente sofrido, que só quem fala com o coração conseguiria fazer algo assim. Depois, já na segunda delas, fica numa linha de baixo estupenda, bateria descadenciada, devaneios jazzísticos na guitarra e assovios calmantes.

Fazia tempo não surgia um álbum de um artista/compositor que empolgasse tanto... Neil Young e Van Morrison devem estar muito orgulhosos...


1) Deerhunter – “Microcastle/Weird Era Cont.”
Download via Megaupload

As guitarras choradas da introdução do disco prenunciam o que vem pela frente: um disco que reúne as melhores influências musicais desde o Wilco e o Yo La Tengo.

É guitar, é shoegazer, é garage, é blues, é country, é krautrock, é post rock, é tudo o que há de melhor. Sempre com muito barulho e muitos lamúrios.

“Agoraphobia”, guitar, continua chorando e implorando pela vinda, pelo conforto, pelo abraço. “Never Come” é uma mistura inusitada de Jesus And Mary Chain com a linha de baixo de “Every Breath You Take” do Police. Em “Little Kids” os BPM baixam vertiginosamente e o choro fica mais evidente. “Microcastle” começa mantendo a lentidão e, em seguida, te joga novamente no barulho.

Entre alternâncias entre choros e guitarradas, o ápice do álbum acontece com a dobradinha “Nothing Ever Happened” e “Saved By The Old Times”. A primeira, um krautrock sensacional, vibrante, viciante. A segunda, quase country, com riff e refrão grudentos.

E o final do álbum propriamente dito é lindo, com a climática “Twilight At Carbon Lake”.

Mas, como bônus, ainda sobra todo o “Weird Era Cont.”, mais experimental e cru, mas igualmente delicioso...

Ninguém nos deu tanto esse ano.

O Los Campesinos!, como falado, até nos deram bastante em quantidade, mas, você sabe, a gente quer mesmo é barulho, não? E no Deerhunter a coisa é mais barulhenta, mais underground, mais agressiva, mais depressiva, enfim, mais arredia...

Sei que pode soar contraditório, mas é disso que a gente gosta, não?


Cassius Matheus Devazzio, mais uma vez é convidado especial para escrever o fechamento de balanço do ano para o over-tunes e é o cara que me levou para o primeiro show de róque da minha vida.
 


OVER-TUNES: UM ANO!

Categoria: , , , , , por Ênio Vital - quinta-feira, novembro 20, 2008
O OVER-TUNES nesse último sábado, dia 15 de novembro, completou um ano de vida. E, este post, tem como intuito passar algumas informações que ocorreram durante esse ano em que nos dedicamos a música.

Tivemos 53 postagens das quais 27 foram de resenhas de albuns que consideramos interessantes. Uma média boa de cada dois posts um ser uma resenha.

Desde que o sistema de comentários ficou habilitado no começo de Agosto, tivemos 58 comentários.

O primeiro semestre de vida do blog foi feito por mim e o Pierre(o outro fundador), o segundo semestre convidamos dois amigos, Henrique Cebola e o Mestrolho, para ajudar a dar mais volume ao blog. Tivemos contribuições esporádicas de outros amigos como: Caio Proença, Eduardo "Durinha" Borgato e Cassius Devazzio.

O Blog está chegando na casa de 9.000 visitas. Possuímos uma audiência fiel que varia de 600 à 800 visitações por mês de pessoas bacanas. Habitualmente, essa variação se constrói pelo volume de informação que o blog entrega.

Não divulgamos nosso blog e nem possuímos grandes amigos da blogesfera que nos seja irmão-de-link logo isso é percebido pela origem das nossas visitações.

Nosso carro-chefe(36%) de visitação é o uso de imagens que - na maioria das vezes - são tiradas por nós ou scaneadas de revistas de Música que as pessoas procuram por google ou afins e acabam aqui caindo aqui. Em seguida, com 22%, são os fiéis que acessam diretamente pelo nosso site e outros 12% migram do orkut para cá(talvez, entre no perfil de algum escritor e caí para cá).

Nunca tivemos preocupações com isso. Estamos aqui por pura e verdadeira devoção pela música.

Bom, isso é o que aconteceu até hoje.

Projeto para o próximo ano: termos um domínio .com ou .net, um design novo, uma maior cobertura de shows e - quando possível - entrevistas!
 


Um dia como um leão

Categoria: , , por Mestrolho - quarta-feira, outubro 22, 2008
One Day As A Lion é o atual projeto e nome do EP lançado há um tempo por Zack de la Rocha, (ex) vocalista do Rage Against The Machine, e pelo baterista do The Mars Volta, considerado um dos melhores da atualidade, Jon Theodore. O nome vem de uma fotografia de um muro de Los Angeles tirada por George Rodriguez em 1970 com a frase "It's better to live one day as a lion, than a thousand years as a lamb" (melhor viver um dia como um leão, do que mil anos como um cordeiro).

Enquanto Theodore comanda a bateria, Zack assume os teclados e vocais. Vi algumas críticas negativas sobre o EP, dizendo que lembra muito o RATM. Talvez por isso eu tenha gostado. Ao contrário dos outros integrantes da banda que formaram o Audioslave com um estilo de música bem diferente e desperdiçando muito do potencial que tinham antes, Zack seguiu na mesma linha. E ainda, acho que seria impossível ouvir a voz de Zack de la Rocha cantando algo (mesmo que fosse um cover da Banda Calypso) e não se lembrar do Rage Against.

O EP tem cinco músicas, é legal, mas... ainda espero que o Rage Against The Machine se reúna de novo, pois ir a um show deles é uma das coisas que ainda tenho que fazer nessa vida.

One Day As A Lion - One Day As A Lion

1. Wild International
2. Ocean View
3. Last Letter
4. If You Fear Dying
5. One Day as a Lion

Download via Rapidshare
 


Festival Contato

Categoria: , , , , por Mestrolho - terça-feira, outubro 14, 2008
Do dia 8 ao 12 desse mês rolou em São Carlos a segunda edição do Festival Contato. Era para o Pierre fazer esse post, já que é o grande fã do Mudhoney, mas o fanfarrista não foi.

Como descrito no site do evento:
O CONTATO – Festival Multimídia de Rádio, TV, Cinema e Arte Eletrônica é um projeto da Universidade Federal de São Carlos que fomenta o cenário cultural de nossa região e busca desenvolver integração em torno de atividades artísticas.
É composto por apresentações gratuitas de música, cinema, instalações de arte eletrônica, atividades de formação e de aperfeiçoamento de profissionais nas áreas abrangidas.

Fiquei muito orgulhoso por a UFSCar organizar um evento desse porte, com uma banda como o Mudhoney tocando de graça. Gostaria de ainda estar na minha época de estudante da querida Federal para acompanhar o festival inteiro, parece ser bem interessante, mas como agora faço parte do proletariado em São Paulo, só pude comparecer para as apresentações musicais do domingo (na verdade cheguei sábado à noite, mas não rolava mais nada, então fomos pro bar).

Depois de ver um pedaço do jogo do Brasil e tomar uma cerveja pela cidade, cheguei no meio da apresentação da banda cuiabana Macaco Bong. Os caras fazem um rock instrumental que não fica preso a um estilo único. É um som agradável de se ouvir.

Em seguida, foi a vez da ótima banda são-carlense The Dead Rocks. Os caras fizeram recentemente uma turnê pela Europa e ainda têm shows na Argentina em novembro. Também fazem música instrumental, mas seguem mais um estilo surf music/rockabilly, lembrando algo de Dick Dale And His Del-Tones, tanto que tocaram Misirlou para fechar o show.


The Dead Rocks (sem foco mesmo)

Logo após se apresentou no outro palco King Automatic, a banda francesa de um homem só. O cara grava algumas coisas antes de começar cada música, como gaita, teclado e etc, coloca isso numa repetição e acompanha cantando, tocando guitarra e bateria (ora com os pés, ora com o braço da guitarra no chimbal). Digamos que a coordenação motora do cara é muito boa e o resultado é até interessante.


O francês King Automatic

De volta ao palco da Episcopal, era hora de Mudhoney! Eu já estava meio high depois de tomar quase um fardo de Itaipava, mas o Mark Arm entrou parecendo mais louco que o Jeremias (se não estava alucinado ele finge muito bem). Cantou a primeira música inteira com determinação, mas não percebeu que o som do microfone não ia pro público. Problema resolvido já na segunda música, e a banda que está completando 20 anos de carreira pôde fazer seu show com a mesma empolgação de quando estavam criando o grunge. Tocaram os clássicos e músicas do novo album, The Lucky Ones, por aproximadamente uma hora e meia, com um bis de umas quatro músicas. Até ensaiei entrar na roda quando tocaram Suck You Dry, mas lembrei da minha canela pós show do Megadeth e achei melhor não fazer isso.


Mudhoney (Guy Maddison, Mark Arm, Dan Peters e Steve Turner)

Sem dúvida o melhor show do dia, mas mal acabou, já pegamos a estrada e voltamos pra São Paulo. Afinal, segunda-feira era dia de trabalhar de ressaca.
 


rock & load - parte I

Categoria: , , , por joselito - terça-feira, outubro 07, 2008
Acabou o mês de setembro e eu ainda não escrevi sobre este grande acontecimento.
Bom, antes tarde do que nunca.
No dia 6/09, aconteceu a primeira edição do Orloff Five, inaugurando a temporada de shows internacionais em SP. O festival contou com a presença de Vanguart, Melvins, The Plasticines, The Hives e o DJ Tittsworth. Como tem muita coisa pra ser contada, farei por partes.

O FUNERAL VIKING

Tudo começa na quinta-feira, dia 4. Sessão de autógrafos dos Hives. Confesso que nunca fui muito de pegar autógrafos, nunca achei que fossem mais do que pedaços de papel, mas como o Hives é uma banda de que sempre gostei e os caras estavam tão perto, ali na FNAC Paulista, resolvi dar uma passada lá para conferir, eu e mais um camarada. Confesso que fiquei surpreso quando cheguei à fila: não esperava tanta gente. Tinha desde nego usando camiseta do Bob Marley até os sempre convenientes e adorados emos, acho que mesmo se fosse uma sessão de autógrafos do grupo Los Del Rio eles estariam lá.

Depois de um pouco mais de uma hora, adentramos o auditório armado na cafeteria da FNAC e lá estão eles. O guitarrista-doidão Nicholas Arson até pareceu gente boa, mas o resto dos caras parecia que tinha acabado de beber uma dose dupla de caipirinha de água sanitária. Coisas de rockstar. Mas na verdade minha expectativa estava voltada para o debate no dia seguinte: Buzz Osbourne, Dale Crover e Michael Azerrad.
[1]

THE BUZZ SHOW

Na sexta-feira, quase ninguém na fila, o que sem dúvidas foi melhor, pois a capacidade do auditório estava reduzida para 60 pessoas. Às 19h em ponto, surgem Buzz Osbourne, Michael Azerrad, André Barcinsky (um dos organizadores do Orloff Five) e para surpresa geral, o lendário baterista Dale Crover.

Buzz e Dale começaram falando sobre o difícil começo. "Começamos tocando aonde nos deixassem tocar. Restaurantes, lugares que serviam panquecas...". Michael, biógrafo do Nirvana e autor do ótimo livro "Our Band Could Be Our Life", também lembrou que o Mission Of Burma, que no início dos 80's era uma das únicas bandas da cena punk, gravava e distribuía os albuns por conta própria, e quase nunca havia lugares para tocar. "Lembro que na época, a única coisa que rolava nas college-radios era Emerson, Lake & Palmer e Queen", disse Michael, seguido por alguns risos contidos na platéia.
[2]

Se este era o panorama das rádios universitárias na época, como aconteceu o contato dos três com o punk? Azerrad foi o primeiro a responder: "Meu contato com o punk foi quando conheci o dono da maior, ou da unica, loja de discos punk em londres, 'boy'. Na inglaterra o punk ainda nao tinha tanto destaque, a unica coisa falada sobre eles era que eles queriam matar a rainha & stuff like that. Na época, também líamos a Creem Magazine. Sempre havia umas matérias sobre os Pistols e sobre gente esquisita em geral". Dale ainda completou que Buzz teve um importante papel neste aspecto. "Buzz gravava várias fitas para todo mundo. Sex Pistols, Clash, The Damned...". Dentre as pessoas incluídas nesse "todo-mundo", estava ninguém menos que Kurt Cobain.

"Sim, fui eu quem introduziu Kurt à música punk", disse Buzz, em tom de arrependimento. Em seguida a esta declaração, alguém fez uma pergunta sobre como Buzz e Dale se sentiam com a ascenção de várias bandas de Seattle ao mainstream e paralelamente, o Melvins ter ficado em segundo plano, de certa forma. As respostas foram secas e diretas:

"Nirvana? DEAD!"
"Malfunction? Great band, but half of the band is DEAD!"
"Soundgarden? AUDIOSLAVE!"
"Alice In Chains? The guy died and it took two months for people noticing he was DEAD!"

Esta foi somente uma amostra do humor negro de King Buzzo. Lá pro final do debate, alguém perguntou: "Todos estes caras morreram, e vocês ainda estão ai. O que leva vocês a continuarem?"
Dale respondeu com uma sinceridade de dar inveja. "Se não estivéssemos na banda, provavelmente estaríamos fritando hamburguers no McDonald's". E Buzz finalizou, ainda mais sincero: "Eu não. Eu tentei trabalhar lá quando era adolescente mas não me deixaram".

To be continued...
[2]

Créditos das fotos:

[1] UOL
[2] Pierre
 


REVELAÇÃO DO ANO

Categoria: , , , , , por Ênio Vital - sexta-feira, setembro 19, 2008


Little Joy - Fab Moretti, Amarante e Binki

Pela primeira vez, não sei como escrever uma resenha.

Hoje a tarde, fui pego de surpresa com a notícia dada por uma amigo que o Little Joy - banda que até então nem tinha ouvido falar na vida - tinha disponibilizado novas músicas.

Papo vai e pesquisa vem, descubro que é o projeto de Rodrigo Amarante(ex- Los Hermanos) com Fabrizio Moretti(baterista do Strokes) e a desconhecida Binki Shapiro - com certeza, deve ter Julian Casablancas, Lanny Gordin (um exímio guitarrista brasileiro, mais aqui) entre outros - há metais em algumas músicas, quem será que compôs? Amarante? Não sei.

O disco ainda não possui título e vai ser lançado pela descolado Rough Trade(strokes, belle and sebastian, babyshambles, libertines, conershop, super furry animals, pulp, arcade fire e outros) no dia quatro de novembro! As faixas do disco já foram liberadas e está aqui em primeiríssima mão:


“Little Joy”
01 The Next Time Around
02 Brand New Start
03 Play the Part
04 No One’s Better Sake
05 Unattainable
06 Shoulder to Shoulder
07 With Strangers
08 Keep Me in Mind
09 How to Hang a Warhol
10 Don’t Watch Me Dancing
11 Evaporar

Sublinhadas são as músicas que disponibilizamos e escreverei para vocês aqui.

Brand New Start, sem sombra de dúvidas, será o HIT DO VERÃO! Uma guitarra de Beach Boys, um Amarante(com Casablancas?) cantando desprenteciosamente da melhor forma possível e uma linha de metais acompanhando o refrão muito boa.

Uma letra bêbada, No One’s Better Sake, é cadenciada por um teclado que, PARA MIM, LEMBRA MUITO A CONSTRUÇÃO MUSICAL DA GAITA DE "LIKE A ROLLING STONE" DA VERSÃO DO ROLLING STONES. O que, de certo, não seria nenhuma vergonha plagiar, afinal... as idéias da composição se equivalem - elas falam de ficar louco e sem rumo. Enfim, concordam?

With Strangers é só violão, côro e melodrama.

A música que mais se assemelha com o Strokes e o Los Hermanos musicalmente falando num suposto agregamendo dos dois. A lembrança da guitarra solo do Albert Hommand Jr e a guitarra rítmica de certas músicas do Los Hermanos em Keep me in Mind é nítido. Porém, não menos deliciosa e viciante! Uma mistura que dá certo e funciona muitíssimo bem.

Evaporar é a música que eu menos curti. Achei muito experimental, menos róque, muito "Marcelo Camelo".

Enfim, me desculpem mas eu não consigo escrever sem ficar fazendo uma rasgação de seda infinita. Por isso, falei mais da parte instrumental do que sentimental ou informacional... senão ficaria um porre essa resenha de tão extensa e cheia de peculiaridades.

Over-Meter: 100%

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GAME OVER

Categoria: , , por Ênio Vital - terça-feira, setembro 16, 2008
Ainda me lembro bem da primeira vez que ouvi Metallica. Não era um dia normal, uma reunião qualquer de família para aniversários ou algo do gênero quando os primos ouviam juntos um recém comprado 'Load'. Eu era apenas um garoto que começava a ouvir rock, e aquilo era de longe o que de mais agressivo eu havia escutado até então. Talvez por achar difícil entender o ponto de vista dos fãs mais xiitas que pregam um impiedoso e cruel boicote ao Metallica desde meados dos anos 90, principalmente quando se tem em vista obras como o 'S&M' pelo caminho. É claro que com o tempo é muito óbvio que os trabalhos dos anos 80 têm uma energia e vontade completamente diferente dos atuais, mas quem aguenta fazer 20, 30 anos de banda tocando os mesmos riffs? É isso, o jogo acabou, o Metallica é simplesmente a maior banda de heavy metal de todos os tempos – porta de entrada para uns 90% de todos aqueles jovens como eu para o estilo, tendo realizado os discos mais importantes do estilo, os divisores de água. Acabou, o jogo acabou.

O que leva esses quarentões a continuarem fazendo música pesada já podres de ricos, com angústias totalmente diferentes daquelas que lhes instigaram a começar tudo? A resposta que escolho é a mais heavy metal possível: Ego. O ego de James, Lars e Kirk está abalado desde o 'Black album'. Isso fica claro em 'Some Kind of Monster', convenhamos. Se o infame documentário de dois anos atrás funciona como uma terapia, 'Death Magnetic' é a apoteose de tudo isso, algo como o make-up sex extremo. Vai ser difícil achar uma classificação melhor do que a dada pela revista Rolling Stone nos EUA. 'Death Magnetic' é como a invasão russa à Geórgia – o despertar violento de um gigante adormecido. Em tese não deveria ser possível abrir um sorriso ao ouvir riffs como os 'Broken, Beat and Scarred' (segunda pancada do álbum), mas quando se trata da volta da melhor banda de heavy metal do mundo à sua melhor forma é difícil não fazê-lo. Muitos fãs ainda irão classificar esse disco como ruim, ou mesmo como bom mas não aos pés de qualquer outro. Penso que isso irá passar, abaixar a poeira como num Iraque bombardeado para aí sim vermos a verdadeira identidade deste que é o trabalho mais agressivo e cheio de identidade da banda desde o '...And Justice For All'. Muitos criticaram 'Fade to Black' uma vez. Outros mais consideram o próprio 'Justice...' massante. Idéias como essas não resistem à qualidade de uma música feita com o coração (ou seriam tripas?).

'Death Magnetic' vale a pena do início ao fim e traçar muitas comparações só irá tornar esta resenha um tanto quanto paga-pau. Não adianta dizer que lembra um 'Master of Puppets'. Se fosse lançado nos dias de hoje com certeza 'Master..' iria soar desajeitado, fora do lugar. 'Death Magnetic' acerta em todos os sentidos, é uma bateria anti-aérea derrubando os velhos caças russos de 30 anos atrás no Iraque. É pura brutalidade no tom certo para os dias de hoje, e quem sabe pode se tornar uma referência em como fazer heavy metal para o futuro próximo. O jogo terminou, o Metallica venceu.


Metallica - Death Magnetic

1. "That Was Just Your Life"
2. "The End of the Line"
3. "Broken, Beat & Scarred"
4. "The Day That Never Comes"
5. "All Nightmare Long"
6. "Cyanide"
7. "The Unforgiven III"
8. "The Judas Kiss"
9. "Suicide & Redemption"
10. "My Apocalypse"


Qualidade: 320kbps
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A Rapidshare está deletando fácil e rápido os links sobre esse album. Pois bem, se o link expirrar, avise-nos pois estaremos upando novamente!

Caio Proença é o dono desta resenha e é meu broder de Belém do Pará! Mandou bem em mais uma resenha para o blog! Valeu!

 


GAS Festival

Categoria: , , , por Mestrolho - segunda-feira, setembro 08, 2008
Rolou no último sábado a segunda edição do Guaraná Antarctica Street Festival. O evento contou com a apresentação de vários skatistas famosos (Danny Way, Sandro Dias, Bob Burnquist), artistas de rua e quatro bandas (Strike, Charlie Brown Jr, Pitty e Bad Religion). Pena que só uma me agrada.

Então vamos aos fatos no meu ponto de vista. A estrutura montada pela organização foi muito boa. O palco enorme foi digno de grandes festivais (pena que três tosquices cantaram lá em cima) e os horários foram cumpridos quase que com perfeição, rendendo uma cena muito boa, quando o tempo de apresentação do Charlie Brown Jr já tinha acabado e o Chorão, como sempre se achando o cara, quis fazer mais um de seus dircursos frouxos cheio de blá blá blá e a organização cortou o microfone dele. Pra ficar melhor só faltou alguém jogar um limão no fera.

Um ponto negativo foi que só podia beber cerveja dentro de um cercado, o qual chamavam de Bar 18+. Aconteceu que enquanto Strike, Charlie Brown Jr e Pitty se apresentaram eu fiquei me embebedando lá dentro. Até que às 22:30 chega a vez da Bad Religion subir ao palco.


Jay Bentley e Greg Graffin, da Bad Religion - Marcelo Soubhia/UOL

E eles mostraram que apesar de estarem tiozões ainda mandam muito bem. Como em todo show fiquei esperando algumas músicas que não vieram, mas muitos clássicos foram tocados, a começar pela música de abertura (que geralmente é sempre do álbum mais recente), 21st Century. E ainda teve Punk Rock Song, American Jesus, Come Join Us, A Walk, Generator e muitas outras que fizeram parte da minha adolescência em Panorama/Dracena. Me fez lembrar da época em que eu ia de calça big toda fudida pra escola e reclamava de tudo. Bons tempos...
 


ROCK A DOIS

Categoria: , , , , por Ênio Vital -
Estou com problemas físicos de armazenamento e transporte de mp3 para poder escutá-las e upá-las. Por isso, não estou resenhando albuns até uma segunda ordem.

Entretanto, vou indicar seis DUOS que apareceram em nossa contemporânea década. As três rock-paulera: Black Keys, Death From Above 1979 e White Stripes; e as três descoladas: The Kills, Raveonettes, Ting Ting.

Um clipe por banda hoje. Mas, prometo, até o final do ano quero resenhar um disco de cada uma dessas bandas porque são(e foram) do ponto de vista instrumental muito bem trabalhadas e idealizadas como, mais tarde, vocês lerão e comprovarão comigo.

Dica: quem demonstrar interesse(via comentário) sobre alguma das seis duplas daqui, eu levarei em consideração para que o próximo post seja a respeito da banda que foi comentada.


Black Keys - Just Go to Be




Death From Above 1979 - Romantic Rights




White Stripes - The Hardest Button To Button




The Kills - Good Ones




Raveonettes - Love In A Trashcan




Ting Tings - Shut Up and Let Me Go

Não sei por cargas d'água o youtube não quer disponibilizar o esquema para videoclipe deles... Talvez deva ter rolado algum problema de direito autoral ou não. Enfim, é só clicar aqui que vc vai ter acesso ao clipe. (:
 


OASIS SINGLE: Shock Of The Lightning

Categoria: , , , , , por Ênio Vital - terça-feira, setembro 02, 2008

LIAM GALLAGHER EM PERFOMANCE

Eu sei, quem deveria estar fazendo esse post era qualquer outra pessoa que eu conheça e que realmente goste de Oasis. Porém, essas pessoas não sabem administrar direito o tempo delas(ou não sabem escrever) e deixariam essa notícia passar até que ela se tornasse ultrapassada e velha.

Pois bem, talvez nem todos saibam, o Oasis lançarão seu sétimo disco de estúdio no comecinho de outubro sobre o título de "Dig out your Soul". E, no dia 15 de agosto, o primeiro single - The Shock Of The Lightning - foi lançado nas rádios irlandesas e inglesas. Desnecessário dizer que isso foi um precursor para que os fãs de oasis arregassassem as manguinhas e jogassem na internet para compartilhar com o resto do mundo.

A Música em sí está com qualidade expecional de 320kbps! Não parece que foi ripada de rádio, é uma qualidade de música de album! Sobre o single, eu achei o começo muitoooooooo parecido com músicas do Blur. Fora essa introdução, eles seguem com um rock propulsor até chegar no refão 'Come in, come out' à la Definitely Maybe que consagra e consagrou a banda até os dias de hoje.

O guitarrista e, as vezes, tecladista da banda, Gem Archer, disse a respeito:
"Noel literally just played it the night before [it was recorded]. Did a little one-man-band job, played the drums, the bass, the guitar, sung it and came back up the stairs."

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ps: valeu cyn

 


the Savage Hippies, pt. 2

Categoria: , , , , por joselito - terça-feira, agosto 26, 2008


Fiquei devendo uma coisa importante no ultimo post: o link para o album dos Melvins, "Nude With Boots" (2008). Ai vai.


1. "The Kicking Machine" – 2:44
2. "Billy Fish" – 3:53
3. "Dog Island" – 7:32
4. "Dies Iraea" – 4:33
5. "Suicide in Progress" – 4:47
6. "The Smiling Cobra" – 3:43
7. "Nude with Boots" – 3:36
8. "Flush" – 1:07
9. "The Stupid Creep" – 1:31
10. "The Savage Hippy" – 3:34
11. "It Tastes Better Than the Truth" – 5:20
 


the Savage Hippies

Categoria: , , , , por joselito - sexta-feira, agosto 22, 2008
Assim como todos autores deste blog, posso dizer que sou um grande admirador da boa música.
Nesta condição, torna-se inevitável falar sobre as principais atrações de um grande festival que está por vir: Orloff Five, contando com as presenças ilustres dos malucos do Melvins e dos não menos malucos do Hives.


Começarei falando sobre o mais novo álbum do Melvins, "Nude With Boots" (2008).

Apesar de me incluir, assim como o Cassius, no hall dos viúvos do álbum Houdini, posso dizer que o novo release dos Melvins não deixa a desejar. "Nude With Boots" é mais uma prova de que Buzz Osbourne e sua turma ainda têm muita fúria e criatividade a ser destilada. Mas posso dizer que a característica que mais salta aos ouvidos é a tensão proporcionada pelas músicas.

A primeira faixa que chamou minha atenção foi #3, "Dog Island". Afinal, são poucas faixas de mais de sete minutos que conseguem cumprir a árdua tarefa de não serem um pé no saco, de forma grandiosa. Cadências lentas e hipnóticas, culminando em um final inusitado. Uma fórmula seguida à risca por gente como Josh Homme, diga-se de passagem. Nem preciso dizer que o resultado não poderia ser melhor.

"Dies Iraea" segue os bons tempos do velhos Sabbath, com direito a interlúdio e tudo mais. Pode-se até dizer que esta doutrina dita o resto do álbum, a começar pela seguinte "Suicide In Progress", que começa agitada e descamba em viagem.

#6 "The Smiling Cobra" por sua vez, possui dois grandes méritos. Em primeiro lugar, o nome da música. Em segundo, possui um riff de início que eu sempre sonhei em criar. Para falar a verdade, os dez primeiros segundos da faixa já seriam suficientes para me fazer feliz.

#7, a faixa-título, nem parece ser uma música do Melvins, a princípio. Há muito de rock setentista ali, sem falar da introdução mecânica e calculada, claramente beneficiada pela presença de duas baterias.

A faixa #10, "The Savage Hippy", parece retomar aos tempos de Houdini, tanto pela lentidão, quanto pela sujeira das guitarras. Ainda preciso tomar um pouco de coragem para poder ouvir tamanha parafernália ao vivo.

#11, "It Tastes Better Than The Truth" fecha o álbum de forma violenta e, como não poderia deixar de ser, deixa o clima de tensão no ar.

Resta saber se as paredes do Via Funchal aguentarão tamanha tensão.




Melvins - Nude With Boots / Dog Island - Live at Portland
 


God is a Concept by which we measure our pain

Categoria: , , , por Ênio Vital - quinta-feira, agosto 14, 2008
Ontem, eu comprei "Beatles: a Biografia" do Bob Spitz, traduzida pelo Sérgio Dias do Mutantes, editora LAROUSSE. Quem me conhece sabe que, para mim, o Rolling Stones é a maior banda do mundo PORÉM como na livraria não tinha o "1001 discos para se ouvir antes de morrer"(meu real objetivo de aquisição) e a Biografia estava pela bagatela de $50 barões-tupi-guaranis e eu decidi dar uma segunda chance para os garotos de Liverpool me convencerem ser a maior banda e comprei.

Um belo investimento para os próximos seis meses. Espero que renda alguns trechos e idéias a mais para alguns posts aqui no Blog! (:

Enfim, ontem tambem, eu ouvi pela primeira vez "GOD" do John Lennon e - como qualquer pessoa normal - eu pirei. É uma letra incrível. Vou deixar clipe e letra!


God is a Concept by which
we measure our pain
I'll say it again
God is a Concept by which
we measure our pain
I don't believe in magic
I don't believe in I-ching
I don't believe in Bible
I don't believe in Tarot
I don't believe in Hitler
I don't believe in Jesus
I don't believe in Kennedy
I don't believe in Buddha
I don't believe in Mantra
I don't believe in Gita
I don't believe in Yoga
I don't believe in Kings
I don't believe in Elvis
I don't believe in Zimmerman
I don't believe in Beatles
I just believe in me...and that reality

The dream is over
What can I say?
the Dream is Over
Yesterday
I was the Dreamweaver
But now I'm reborn
I was the Walrus
But now I'm John
and so dear friends
you'll just have to carry on
The Dream is over
 


PIADA MORTAL

Categoria: , , , por Ênio Vital - domingo, agosto 10, 2008

Eu sempre fui meio bitolado em coisas nerds. Gosto de quadrinhos, animes, mangás, seriados e outras coisas deste naípe. Sei que o blog não tem como intuito falar dessas coisas porém eu quero falar do novo filme do Batma que está titulado como "The Dark Knight" (O Cavaleiro Negro).

Na verdade mesmo, o filme é o b-a-bá do que se pode esperar de um filme que vai ter o Coringa. Explosões, perseguições, mortes, chacinas... mas a maneira como isso vai ser construída e as falas que teremos no meio disso é que darão todo o charme e, sem dúvida, os roteristas capricharam desta vez.

A atuação do póstumo ator - Heath Ledger, o caúboi viado loirinho de Brokeback - me deixou em xeque-mate pela primeira vez na vida uma atuação do Jack Nicholson. A atuação dele não foi de um vilão, foi de um anti-heroi. Quem me conhece, sabe que eu possuo uma galeria de anti herois fenomenal, que a minha construção preferida de personagem mais criativa, intrigante e - na maioria das vezes - inteligente são os anti-heróis.

Esse Coringa deixou de lado seus truques circenses como "Bomba do Riso" ou "Pistola com Bandeirinha". Ele incorporou um estado psicótico muito louco e, na atuação, isso é muitíssimo claro quando ele fica mexendo a boca várias vezes entre outros tiques que só os psicopatas possuem. O que faz do Jack Nicholson um bundão.

DAQUI PRA FRENTE CONTERÁ FORTES SPOILERS

Outro fato novo é a sua idéia filosófica. Ele fala pro Batma que ambos são dois putos freaks que não possuem solução e um depende do outro. Ele não está atrás de anarquia, ele quer o caos, um agente do caos como ele mesmo se denomina. Sinta como as frases foram bem feitas desta vez, antes de ele queimar UMA MONTANHA DE DOLLARES ele diz: "See, I'm a man of simple tastes. I like dynamite... and gunpower... and gasoline! Do you know what all of these things have in common? They're CHEAP!" (tradução livre: "veja, sou um homem de gostos simples. Eu gosto de dinamite... e pólvora... e gasolina! Você sabe o que todas essas coisas tem em comum? ELAS SÃO BARATAS!") Fodido, não?

Para mim, o diálogo mais fodido, que chega a lembrar aqueles diálogos do Tyler Durden com o Jack de "Clube da Luta" é a forma como o Coringa convece o Harvey Dent virar Duas Caras. (Não vou colocar o diálogo aqui mas, se alguém se interessar, esse diálogo foi transferido para meu about-me do orkut)

Há de se frisar que o Batma é um mero coadjuvante no filme, outro ponto para os roteristas em saberem contar uma idéia em cima do anti-heroi.

Outra coisa que gostei bastante foi da produção, a maquiagem está fodida. E os cartazes ficaram geniais, estou tentando roubar alguns do cinema para mim!! (coloquei os mais legais no final do post)

Agora, vamos aos contras que me chatearam bastante...
Primeira coisa: qualquer fã de batma deve ter ODIADO que a maioria da trama acontecer DURANTE O DIA e aquela Gotham city toda cheirosa, colorida, azul-anil telletubies. Se fosse fazer cenas durante o dia que, pelo menos, fosse nublado ou durante chuva. Gotham city é macabra por excelência, pô!

Segunda coisa: BATMA OVERPOWER!!!
Sério, logo na primeira aparição do ôme-morcego ele entorta o cano do rifle com uma mão só, tomanocú!!! Ele se joga, leva tiro, facada, mordida de rottwailler e não se abala... ele tromba a 100km por hora e nem o baço, fígado ou qlqr outro orgão se descola ou fica injuriado... ele é simplesmente imbatível. Pra finalizar, ele dá conta de TODOS AS EQUIPES DA SWAT!!

Terceira coisa: conseguiram mostrar dois vilões clássicos e já mataram um que poderia dar muito mais pana pra manga.

Enfim, eu assisti o filme só uma vez, vou assistir essa semana novamente e ver se me equivoquei ou não com algumas coisas. De qualquer forma, eu aposto o meu traseiro que quem lê esse blog, vai gostar do filme por excelência!!!

Over-Meter: 96%

click para ver ampliando e com mais detalhes!


 


DEUS ECSISTE

Categoria: , , por joselito - quarta-feira, agosto 06, 2008
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Mudhoney - Suck You Dry

Graças a um punhado de mecenas da querida cidade de São Carlos, dentre eles, Marky Wildstone, batera do genial trio de surf music são-carlense The Dead Rocks, veremos Mark Arm e sua turma no festival Contato, na faixa! Essa mesma galera já tinha trazido gente como The Dt's, do guitarrista Mike Watt, ex-Monomen, e o legendário Daevid Allen.

O Mudhoney é, juntamente com Pearl Jam, Nirvana e outros, um dos expoentes da cena de Seatlle dos anos 90. Dos três, é o que menos obteve sucesso comercial. Mas isto não importa, os caras estão ai até hoje, mostrando pra muito moleque o que é rock 'n roll de verdade.

"Suck You Dry" é um dos maiores sucessos da banda e faz parte do álbum "Piece of Cake". O clipe possui um estilo meio tosco, "do it yourself", e possui várias participações especiais, como a de Krist Novoselic, por exemplo.

Segue notícia publicada no site da UOL.

O Mudhoney vai tocar de graça no Festival Contato, projeto realizado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) com produção da Rádio UFSCar, CineUFSCar, LAbI e CCS. A apresentação da banda de Seattle será no dia 12 de outubro junto com mais cinco bandas nacionais que vão ser anunciadas em breve. O Festival Contato começa no dia 8 de outubro, e além dos shows, vai abrir espaço para palestras, sessões de cineclubes e oficinas.

Um dia antes, a banda tocará na Clash, casa de shows localizada na Zona Oeste, em São Paulo.

O Mudhoney é formado por Mark Arm ( voz e guitarra ), Dan Peters ( bateria ), Steve Turner ( voz e guitarra ) e Guy Maddison ( baixo ).

Festival Contato
8 a 12 de outubro
Show do Mudhoney: Mercado Municipal de São Carlos
Avenida Alfredo Maffei, 2542
Grátis
 


one night, two drinks

Categoria: , , , , , por Ênio Vital - sexta-feira, julho 11, 2008


Não sou muito de comentar baladas alternativas de São Paulo, falar da cena indie de lá é deprimente porém há raras excessões em toda regra. Uma dessas e que mereceu ser digna de nota foi o tal do GuiFest, aniversário do Guilherme Barrela que, um indie-mor da cena paulistana e não iremos nos extender nisso, promoveu um mini-festival indie bem bacana no studiosp.

Por motivos distintos, duas mulheres me quiseram me levar na festa. Eu até fiz um pouco de resistência de que só teria gente blasè, que as bandas seriam todas um porre e blablabla. Por fim, uma delas me falava que eu ia adorar a banda de post-rock mineira de BH enquanto a outra dizia que meu esqueleto não pararia de chacoalhar com uns tiozões cariocas.

Sempre achei Minas um celeiro de bandas que seguem uma fórmula X para fazer música e não para post-rock ou gente indie. E o Rio, então? Nem se fale! Tirando a anomalia subhumana chamada Los Hermanos, nada poderia sair de lá.

Pois bem, vivendo e aprendendo, perder o medinho e preconceito faz parte. As duas bandas foram boas em um festival que marcou uma miscelânia de sons. Seguindo pelo line-up, perdi o show do duo paulistano de música eletronica National, peguei o vibrante e último show do Mowgli! and the Robot Affair no Brasil, um adolescente que veio de intercâmbio para cá e resolveu fazer um projeto punk-folk colocando distorção em seu violão e tocando quatro acordes bem rápidos - segundo eu e minha bola de crystal de baixo do braço, tem tudo para botar o som no myspace e a gringaiada pirar.

Costantina começa a tocar, a tal banda post-rock mineira veio mostrar seus truqes para a platéia, começa a contemplação que em todo show desse gênero merece: "uh-uh" aqui a colá, batidas de palmas, essas coisas. Mas eu sou uma eterna mulher de malandro do hurtmold e, se forem para se intitularem post-rock, quero ver caídas abruptas na construção dos acordes sonoros, reviravoltas e metais o que... não aconteceu. Senti muita progressão no som deles e, quem me conhece pessoalmente, sabe que prog nunca me fez liberar seretoninas.

Entrou Contra-Fluxo, um sexteto de: quatro MC e dois dee-jays que erraram todas as viradas e batidas. Vou pular essa parte porque por mais que eu goste de hiphop, o som, o papo e a presença de palco deles ficaram muito aquém.

Pronto, última atração da noite.
Algumas passagens de som, uns tiozões com rosas desenhadas no escudo de suas guitarras e, definitivamente, os cariocas não sabem como ser indies por mais que tentam acabam sempre sendo pessoas engraçadas sem quererem ser engraçadas. Assim é a aparência de Do Amor. Nessa hora, eu já estava pronto para tudo. Tinha visto de tudo um pouco mesmo mas isso foi um ledo engano.

Quando esses malditos começaram a tocar, minhas pernas ficaram em estado calamitoso de movimento e chacolhamento. Como, naquele dia, tinha acordado seis da manhã, de ressaca, pegado 5 horas de viagem em ônibus não aguentei ficar de pé e dançar pois era bem provavel dançar uma lambada no dancefloor.
Eles fazem um som dançante à la calypso-indie-rock-sem-joelma e letras cômicas! O quarteto todo toca muito bem e cada um tem uma música para cantar, o que não faz com que haja um frontman ou algo do tipo. Pretendo poder resenhar um disco em breve deles para poder dizer mais e melhor. Por enquanto, eles tem um EP lançado que, no show, só tocaram uma música desde compacto.

Espero que, ano que vem, o nível não caía.

O mais legal disso tudo é que, no fim da noite em um buteco da augusta, uma mina anarco-punk deu uma bicuda no cú da outra mina que, puta merda!, nem eu conseguiria acertar com tanta precisão, força e técnica! Fiquei embasbacado!
 


FO DI DO

Categoria: , , por Ênio Vital - quarta-feira, julho 02, 2008
POR ESSAS E OUTRAS QUE VOU NO SKOL BEATS!!!
JUSTICE REMIXANDO SMACK MY BITCH UP

hahahahahaha
ctrl c ctrl v do blog da ka
 


TIN-TIN, JIM-JIM

Categoria: , , por Ênio Vital - domingo, junho 08, 2008
Me fiz uma promessa de atualizar o blog com algum album até hoje(domingo). Já estava me vendo fadado a falar daquele que todo mundo está falando, o Beirut. Porém, eis que surgiu uma luz no fim do túnel e esta luz é, sem dúvida:

Jamie Lidell, um desses sujeitos que nasceram para a música.
Sua saga começa quando gastava seu tempo fazendo beat-box e encontrou na Soul Music o par ideal para improvisar letras.

Meu primeiro contato com ele foi num clipe* muito bem feito. Me chamou muita a atenção um branquelo fazendo um R&B tão responsa. Não que eu queira ser segregacionista mas, convenhamos, é incomum.

Seu último disco, "JIM", gravado entre Berlin, Los Angeles e Paris foi lançado em Abril de 2008 pela - PASME! - WARP!!! A gravadora britânica independentede Aphex Twins, Maximo Park, LFO entre outros medalhões da europa acertou em cheio nessa nova empreitada fora de seus habituais gêneros.

"A busca do equilíbrio entre uma criatividade espontânea de ideias cruas e o cuidado em lapidá-las fazem dele um bom disco..." segundo a Review da Amazon. Entretanto, não vi muitas referências deste disco na midia gringa mas, garanto, que vai agradar. Se um disco animado e divertido para dança for o seu objetivo, será um prato mais cheio ainda. É, praticamente, shake your leg ever.

Me chamaram bastante atenção "Where D'You Go", "Wait For Me" e "Hurricane". Como eu só consegui baixar o album hoje, não tive tempo de ver as letras com mais paciência e dedicação. Porém, não devem ser ruins, haja visto o nome delas.


Download via 4shared
Bônus: Tem o disco anterior de Jamie, o "Multiply"(2005), quem se encorajar... me conte depois!

*o_tal_clipe




**Sei que isso é um blog de respeito e que, definitivamente, estamos aqui para cobrir o róque. Porém, nada como um tira gosto em outros gêneros.