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BALANÇO DE 2009

Categoria: , , por EV87 - quarta-feira, dezembro 30, 2009
Ele escreveu em 2007 e em 2008, ele volta agora em 2009 para fechar mais um ciclo. Com vocês, Cassius Matheus Devazzio:

2009 sem sombra de dúvidas fechou com chave de ouro os anos 00. Foi um ano borbulhante no cenário musical mundial. Grandes bandas surgiram e bandas já idolatradas lançaram discos fodaços. Se estes discos se tornarão “clássicos” só o tempo dirá. Dada a proximidade do lançamento e o “vício” recente em vários deles, qualquer tipo de análise nesse sentido seria distorcido.

Quais desses discos teriam peito para constar numa lista de melhores da década ao lado do “Kid A”, do Radiohead, do “Yankee Hotel Foxtrot”, do Wilco, do “Songs For The Deaf”, do Queens Of The Stone Age, do “... And Then Nothing Turned Itself Inside-Out”, do Yo La Tengo, do “Funeral”, do Arcade Fire, do “Return To Cookie Mountain”, do TV On The Radio, do “Come On Feel The Illinoise”, do Sufjan Stevens, do “Hissing Fauna, Are You The Destroyer?”, do Of Montreal, do “Clap Your Hands Say Yeah!”, do Clap Your Hands Say Yeah!, do “Up The Bracket”, do Libertines? Eu mal consigo fazer isso com os albuns de 2007 e 2008…

Não consegui reduzir a lista a dez. Terá que ser o top 11, isso porque eu já encaixei o Deerhunter junto com o Atlas Sound e coloquei o álbum e o EP do Animal Collective juntos, ocupando uma só posição. E isso porque eu deixei álbuns que me deixaram de coração partido, como é o caso do Japandroids, do Beirut, do Peter, Bjorn And John, do The Dodos, do Dan Deacon...

Então vamos lá, em ordem decrescente:


11) Why? – “Eskimo Snow”



No ano passado, descobri o “Alopecia” tardiamente, o que fez com que ele não entrasse no top 10. Mancada.

Mas este ano o Why? lançou um álbum novo que, ainda que não supere seu predecessor, cabe com folga na lista de melhores do ano.

Rap com predominância de piano sempre me pareceu estranho, mas eles se superam. A seqüência das três primeiras músicas, “These Hands”, “January Twenty Somehing” e “Against Me” é de tirar o fôlego e ainda é só o começo. “Into The Shadows Of My Embrace” e “Eskimo Snow” são outros dois destaques.

Mas o melhor momento é o primeiro single, “This Blackest Purse”. Tanto que eu demorei para conseguir ouvir o resto do álbum. Que bom que depois eu pude ver o tempo que eu estava perdendo em não apreciá-lo por inteiro.

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10) Wilco – “Wilco (The Album)”



Pois é, eles conseguiram de novo.

Depois de lançar dois dos melhores álbuns de todos os tempos, “Being There” e “Yankee Hotel Foxtrot” e outros dois excelentes, “Summerteeth” e “A Ghost Is Born”, finalmente eles voltaram à melhor forma depois do irregular “Sky Blue Sky”.

Desde o rockão “Wilco (The Song)”, passando pelo kraut “Bull Black Nova” (que remete à espetacular “Spiders”, do “A Ghost Is Born”), pela teenagefanclubiana/harrisoniana “You Never Know”, até a ensolarada “Sunny Feeling”, eles conseguem fazer até a alma mais gélida abrir um grande sorriso.

Que bom poder contar com bandas que até na maturidade conseguem empolgar, como é o Wilco, responsável por um dos melhores shows da minha vida, em outubro de 2005.

É torcer para que eles voltem para o Brasil.

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09) The Pains Of Being Pure At Heart – “The Pains Of Being Pure At Heart”



Ironicamente de Nova York – do Brooklin para ser mais específico – veio a novidade mais britânica do ano – guitarra quase onipresente, bateria minimal e vocal “atolado”.

Aqui é aquela velha história: quem precisa, no século XXI, de um tipo de música que teve seu auge entre os anos 80 e o início dos 90???

A resposta é óbvia: eu e a torcida do Flamengo.

Impossível passar incólume à delícia de “Young Adult Friction” ou não ter vontade de entrar dentro da televisão ao ver o clipe de “Everything With You”.

Sem dúvida o álbum que mais me fez feliz – nostalgicamente falando – neste ano.

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08) Yo La Tengo – “Popular Songs”



Ah, o Yo La Tengo... Será que algum dia eles farão um álbum ruim?

Neste, em especial, há vários elementos diferentes – como tem sido costume nestes tempos – que acabam se completando e formando um todo deliciosamente bom.

Tem a viagem de “Here To Fall” – que conquista qualquer um desde a abertura – tem a tradição de “Avalon Or Someone Very Similar”, tem “By Two’s” e “When It's Dark”, que, com sua melancolia linda de chorar, caberiam tranquilamente no “... And Then Nothing Turned Itself Inside-Out”, um dos albums da década, tem o rockão de “Nothing To Hide”, tem o clima Motown de “Periodically Triple Or Double” e “If It’s True”.

Não fosse o suicídio comercial – também já previsível em se tratando de Yo La Tengo – da trinca final, com cerca de 37 minutos somados, esse álbum seria top 3 fácil.

Não que as músicas sejam ruins ou que isso tire o brilho do álbum, mas aí a coisa começa a depender do estado de espírito para ouvi-lo – o que não acontece com a sequencia das 9 primeiras músicas, perfeitas.

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07) Bill Calahan – “Sometimes I Wish We Were An Eagle”



Um ano após uma turnê no Brasil que deixou bastante saudades para quem teve a sorte de assiti-lo, o Bill Calahan – mais conhecido como “o cara do Smog” – vem com esse disco perfeito do começo ao fim.

Logo na primeira música, “Jim Cain”, ele já avisa que está “dark” de novo – e a gente só tem a ganhar com isso.

Encarrilhadas na seqüência, “Eid Ma Clack Shaw”, uma das melhores letras do ano e “The Wind And The Dove”, com o melhor refrão do ano, fazem um seqüência matadora.

E ainda tem todo o resto, culminando com a épica “Faith/Void”, de quase 10 minutos, pregando que é hora de colocar Deus de lado.

Um disco para matar saudade dos melhores momentos do Smog.

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06) Flaming Lips – “Embryonic”



Quando a gente acha que já viu de tudo em termos de loucura do Wayne Coyne nessa vida ele vem com esse novo álbum para nos surpreender.

O álbum é uma viagem tamanha que só se consegue “entendê-lo” por volta da quinta audição – por isso eu peço que vocês tenham paciência e insistência. Mas depois que a coisa vai, o bicho pega.

As informações e as referência são muitas. Viagens kraut como “Convinced Of The Hex”, rock progressivo (no bom sentido, se é que há bom sentido nisso) em “Evil” e “Powerless”, Mutantes em “Your Bats”, rock de arena setentista em “The Ego's Last Stand” e “Worm Mountain”, Beatles em “I Can Be A Frog” e diversas viagens que passariam muito bem por vinhetas.

Mas para quem gosta do velho e bom Flaming Lips, ele também está lá, em músicas como “The Sparrow Looks Up At The Machine”, “See The Leaves”, “Silver Trembling Hands” e “Watching The Planets”.

Um álbum que não duvida da nossa inteligência sem ser pedante. E, a cada estudo adicional, o vício nele aumenta.

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05) Atlas Sound – “Logos”/Deerhunter – “Rainwater Cassette Exchange”





Após fazer o melhor álbum do ano passado (“Microcastle”, do Deerhunter), o melhor e mais prolífico compositor da atualidade, Bradford Cox, mais uma vez volta aos holofotes, desta vez com um álbum cheio do Atlas Sound e um EP do Deerhunter.

O cara é tão foda que, no caso do Atlas Sound, ele teve a manha de convidar dois figurões (Panda Bear, artista solo e membro do Animal Collective, e Laetitia Sadier, vocalista do Stereolab) e brindá-los brilhantemente com músicas que remetem às suas próprias carreiras sem isso parecer nem bajulação, nem cópia, nem insulto – as geniais “Walkabout” – uma das músicas do ano, sem dúvidas – e “Quick Canal”.

Isso sem contar a beleza de “An Orchid”, “Criminals” – de chorar –, “Shelia” – que não tem como tirar da cabeça – a viagem de “Kid Climax”, o mantra pixiano de “Washington School” e o desfecho de ouro com a faixa título.
Um disco perfeito de um compositor perfeito.

Já no Deerhunter, ele simplesmente manteve o nível do “Microcastle”, um dos melhores álbuns dos últimos tempos. Cinco músicas perfeitas em 15 minutos de tirar o fôlego.

Logo devemos ter mais desse gênio, felizmente.

DOWNLOAD VIA MEDIAFIRE (Atlas Sound)

DOWNLOAD VIA HOT FILE (Deerhunter)


04) Grizzly Bear – “Veckatimest”



Melodicamente, o Grizzly Bear fez o álbum mais denso do ano.

Dá para ver a complexidade dos arranjos e a preocupação com a perfeição em cada acorde.

E tem músicas simplesmente perfeitas como “Two Weeks”, “Cheerleader”, “Dory”, “Ready, Able” – outra das músicas do ano – e “While You Wait for the Others”. Tão perfeitas que não tem nem muito o que ficar falando nelas – simplesmente pegue alguns minutos para degustá-las, ciente de que vai se viciar imediatamente.

Seria o álbum do ano, não fosse o fato de exatamente aquela complexidade que o eleva à quase-perfeição fica somente no “quase” porque, a longo prazo, acaba cansando um pouco.

Mas, se administrado em doses homeopáticas, é tratamento para o resto da vida.

DOWNLOAD VIA MEDIAFIRE


03) Dirty Projectors – “Bitte Orca”



E não é que todas aquelas “quebradas” de ritmos, aquele caldeirão de referências, aquelas vozes a princípios “perdidas” no meio dos demais instrumentos – que depois se percebe serem apenas mais um instrumento – funcionam perfeitamente em conjunto???

Para os que – como eu – sempre gostaram de experimentalismo, mas somente se dirigidos a algum fim pop – e desde meus 12 anos de idade eu venero o Sonic Youth por isso – no começo pode ser um pouco difícil gostar dessa bagunça toda. Não sei se o meu cérebro tem algum problema organizacional, mas é assim que funcionou comigo.

Mas logo depois você consegue absorver pérolas como a tribal “Cannibal Resource”, a “kinkiana” “Temecula Sunrise”, a melhor faixa do álbum “”, alternando momentos de calmaria e guitarrada, “The Bride”, as referência de Radiohead-fase-Kid-A em “Useful Chamber” (com refrão totalmente bizarro) e de Talking Heads em “No Intention”.

Tem o pop também – perfeito em “Stillness Is The Move”, que, conforme eu li por aí, se tivesse sido gravado pela Beyoncé seria o single mais vendido da história e “torto” em “Two Doves”, que lembra a melhor fase da Nico.

O lance é que parece que quanto mais se ouve esse álbum menos você conseguiu absorver – coisa típica de álbuns complexos, que demandam um delicioso estudo para serem compreendidos, se é que serão completamente.

DOWNLOAD VIA MEDIAFIRE


02) Animal Collective – “Merriweather Post Pavilion”/“Fall Be Kind”





Não bastasse logo em janeiro o Animal Collective lançar um álbum que já foi considerado desde já o melhor do ano, ainda fechou o ano com o brilhante EP “Fall Be Kind”.

Acho que nessa altura do campeonato já se esgotou tudo o que haveria para se falar sobre o “Merriweather Post Pavilion”, né?

Estão lá várias das canções do ano, como o psicodelismo ensolarado de “My Girls”, a tensão de “Summertime Clothes”, provavelmente A MELHOR música do ano, que tem as manhas de dar a sensação de calor não só na letra, mas no climão, o caldeirão de informações de “Lion In A Coma” e a alegria de “Brothesport”.

E no EP de fim de ano estão as complexas e perfeitas “Graze” e “What Would I Want? Sky”, que poderiam, cada uma delas, se desmembrar em 2 ou 3 músicas, mas não, eles ousadamente preferem juntar tudo numa só.

Fato é que o Animal Collective é inclassificável. Consigo ver psicodelia, consigo ver música eletrônica, consigo ver soul music. Mas todas essas referências do passado estão longe de classificá-lo.

Talvez por isso eles são hoje a banda que mais aponta para o futuro – e, consequentemente, a banda mais influente, como há tempos não se via.

DOWNLOAD VIA DEPOSIT FILES (Merriweather Post Pavilion)

DOWNLOAD VIA MEDIAFIRE (Fall Be Kind)


01) The xx – “The xx”



Se eu estou reconhecendo que o Animal Collective é a banda mais importante do ano e lançou o disco mais importante do ano, como o primeiro lugar não é deles.

Bem, como eu sempre disse, eu gosto mesmo é de música pop. Não interessa se ela é influente ou não – até porque a questão da influência leva um tempo para ser sentida. Com certeza no futuro eu olharei para trás e não acreditarei que fiz essa inversão entre o primeiro e o segundo lugares, mas é assim que eu me sinto agora – e seria traição escrever contrariamente aos meus sentimentos neste momento.

Para tomar essa decisão, comparei essa situação com a questão de qual é o melhor dos discos dos Beatles – para mim, sem dúvidas é o “Revolver”, mas consigo ver que a influência do “Sgt. Peppers” para a história da arte é maior. Mas em quem eu votaria numa eleição? No “Revolver”, oras. Por isso o primeiro lugar é do The xx.

Foi o disco mais viciante do ano – talvez exatamente pelo apelo mais pop. Seqüências como “Intro”, “VCR”, “Crystalized”, “Islands” e “Heart Skipped A Beat” e, ainda, “Besic Space”, “Infinity” e “Heart Skipped A Beat” não tem como não render um prêmio de disco do ano.

Parece “banda-armação”? Sim. O som “Hot Chip on dope” é manjado? Sim.

Mas tudo isso, até quando durar, é delicioso.

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ESCRITO POR CASSIUS MATHEUS DEVAZZIO
 


Fechamento para balanço 2008

Categoria: , , , por Ênio Vital - terça-feira, dezembro 23, 2008
A idéia inicial era fazer uma lista com os cinco melhores (como no ano passado, na qual, porém, acabou entrando de última hora o do Of Montreal que, mais tarde, eu me arrependi de não ter colocado em primeiro da lista). Depois, graças à grande quantidade de bons álbuns surgidos, esse número subiu para dez. E, quando estava se firmando em quinze, o Ênio me tesourou e pediu para fechar nos dez, mesmo.

Então vamos lá, em ordem decrescente:

10) TV On The Radio – “Dear Science”
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Que o TV On The Radio é uma banda brilhante, das melhores da atualidade, não é novidade para ninguém.

Há dois anos, o álbum “Return To Cookie Mountain” foi o melhor álbum do ano, simplesmente moendo a concorrência. Era daqueles álbuns que você fica até triste quando ouve, pois sabe que dificilmente surgirá algo igual por um bom tempo.

Isso, no caso deles, talvez tenha sido um problema.

Eu sabia que não tinha como esse novo álbum ser ruim. Óbvio que, se eles chegassem e gravassem um monte de merda, ainda assim seria uma merda boa, porque não tem como sair coisa ruim desses novaiorquinos.

No entanto, as comparações com o álbum anterior são absolutamente inevitáveis e é inegável que eles deixaram a peteca cair um pouquinho, por isso eles ficam somente com o décimo lugar.

Óbvio que o álbum é melhor do que 99% do que as demais bandas estão fazendo por aí, mas, em se tratando de TV On The Radio, isso serve apenas consolo quando eles não conseguem repetir o brilhantismo de um álbum anterior.

O som desses caras é simplesmente impossível de descrever. Acho que o mais perto que se pode chegar seria um black/gospel/eletrônico.

E, nesse álbum, eles mergulham ainda mais no black e até em algumas coisas trash (pelo menos eu acho, sei que tem gente que adora) dos anos 80.

Só pela “pancadaria suave” de “Halfway Home”, “Shot Me Out” e “DLZ”, já não teria como esse álbum não figurar entre os melhores do ano. Mas ainda tem a “davidbowiece” de “Crying”, o groove de “Dancing Chooes” e “”Red Dress” e até o pop de “Golden Age”.

Seria brilhante se fosse de qualquer outra banda. Em se tratando do TV On The Radio, o melhor que consigo utilizar é “correto”.


9) Vivian Girls – “Vivian Girls”
Download via Rapidshare

Como é bom de vez em quando aparecerem bandas como as Vivian Girls para a gente lembrar que criatividade e virtuosidade nem sempre andam de mãos dadas...

Que elas me desculpem, mas não tem como eu não me utilizar do adjetivo “tosco” para definir o som delas – no bom sentido, é claro!

“Tosco” a la Ramones, “tosco” a la Beat Happening, “tosco” a la The Shaggs, ou seja, “tosco” como tudo aquilo que a gente sempre adorou na vida!

“Tosco” no sentido de simples, de certeiro, de fácil, de preciso. De pensarmos “como não pensamos nisso antes, se era tão óbvio?”.

Lembro que a primeira ou a segunda vez que eu ouvi falar nelas, vi uma foto delas com o Thurston Moore. Pô, pensei, quem recebe a benção de um dos deuses da música não tem como dar errado...

“Tell The World” é, sem dúvida, uma das músicas do ano. Simplesmente sensacional. De ter vontade de voltar àquela época em que a gente descobriu os Cramps e ficava em casa, no quarto, trancado, ouvindo sem parar... É punk, é diversão e é tão simples... Menos é mais...

E o pop perfeito de “Where Do You Run To”? E a simplicidade de “Damaged”?

Se a fórmula não fosse um pouco repetitiva, elas com certeza estariam bem acima disso no ranking dos melhores. Mas uma nona posição em um ano como esse não é de se jogar fora, é?


8) Department Of Eagles – “In Ear Park”
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Mudando completamente de rota (sem, contudo, sair de Nova Iorque – apenas atravessando a Ponte do Brooklin – aliás, agora que eu percebi que as três primeiras bandas são de lá...), o Department Of Eagles aposta nas melodias... E que melodias!

O álbum chega a ser difícil no começo. As músicas são bastante diferentes entre si e o ouvinte chega a ficar perdido nas mudanças de direção.

Começa quase folk com a faixa título, pula para um som Motown com “No One Does It Like You”, chega na balada arrasa-quarteirão “Phantom Other” e o duro é continuar daí.

“Phantom Other” provavelmente é a música do ano. Fiquei mais de um mês sem conseguir passar à quarta faixa... Chegava nela e eu ficava voltando para ouvi-la novamente... Que música!

Mas, após muito tempo, quando se consegue passar dela, ainda se tem diversas surpresas agradáveis: da “música infantil” “Teenagers”, à balada que faria companhia à segunda faixa como melhores do álbum “Around The Bay”, ao semi-experimentalismo de “Classical Records”, à cadência “thebandiana” de “Waves Of Rye”, à rápida e certeira “Therapy Car Noise”.

Um álbum complexo, a ser degustado aos poucos. E, no final, é inevitável arrepender-se por não ter se apaixonado à primeira vista.


7) MGTM – “Oracular Spetacular”
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Tá, eu sei que você já está torcendo o nariz (né, Ênio?). MGMT na frente de TV On The Radio??? Que porra é essa???

Simples, eu adorei de cara o psicodelismo “flaminglipstico” dos caras...

Vão querer tirar o brilho desse álbum só porque ele é “farofa”, o Lúcio Ribeiro gosta e os caras são mais moleques que você???

No fim das contas, o que a gente quer é abrir um sorriso no final de uma música e ter vontade de voltá-la do começo, não? Então... Aqui, é duro separar as canções que não são de se sorrir...

Ta certo que o clima ripongo é um pouco previsível e apelativo, mas a seqüência “Time To Pretend”/“Weekend Wars”/“The Youth”/“Electric Feel”/“Kids” é de tirar o fôlego… “Hit” atrás de “hit”.

E ainda tem “Pieces Of What”, “Of Moons, Birds & Monsters” e “The Handshake”…

Ao contrário do Department Of Eagles, é um álbum fácil do começo ao fim. Muito provavelmente este foi o álbum que eu mais ouvi este ano.

O que não dá para entender é como eles conseguem fazer um show tão meia-boca com um repertório brilhante desses...


6) Of Montreal – “Skeletal Lamping”
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Esse álbum, aqui, na sexta posição, talvez seja um “mea culpa” por ter colocado o delicioso álbum anterior, “Hissing Fauna, Are You The Destroyer?”somente na sexta posição no ano passado. Logo em seguida de ter feito a lista, eu viciei naquele álbum de uma forma que me fez me arrepender de não tê-lo colocado na primeira ou na segunda posição (afinal, os Battles também fizeram bonito com o “Mirrored”). Tanto que hoje provavelmente minha banda predileta seja exatamente o Of Montreal.

Neste caso, é inegável que a peteca caiu um pouco. Não é todo ano que uma banda consegue fazer um clássico como o do ano passado, a gente entende.

Mas a fórmula é inegavelmente brilhante. Costumo descrevê-los como um “Sgt. Peppers com elementos eletrônicos”. Mas já ouvi quem colocasse até mesmo ABBA na fórmula. Tudo isso no melhor sentido que se possa extrair.

A exemplo do Department Of Eagles e ao contrário do “Hissing Fauna, Are You The Destroyer?” (que eu julgava ser ultra-mega-blaster-pop), o álbum deste ano é bastante difícil no começo.

São quinze faixas, com várias mudanças radicais de ritmo em cada uma delas, o que faz parecer serem 100 faixas. Com isso, o disco só se torna “assobiável” lá pela décima audição. Mas aí a coisa fica assobiável MESMO, como tudo o que esses caras fazem.

Se no álbum do ano passado a gente tinha o pop perfeito de “Heimdalsgate Like A Promethean Curse”, “A Sentence Of Sorts In Kongsvinger” e “Bunny Ain't No Kind Of Rider”, a ultra-dançante-obrigatória-em-pistas “Gronlandic Edit” e a música que o Franz Ferdinand não escreveu “She's A Rejector”, neste álbum temos a quebradeira “Nonpareil Of Favor”, o delicioso dance pop de “For Our Elegant Caste” e “Mingusings”, a embasbacante “An Eluardian Instance” (o refrão mais grudento do ano – “Do you remeeeeeeeeember?”), a apoteótica “Triphallus, To Punctuate!”, a mezzo rollingstoneana, mezzo electropop “And I've Seen A Bloody Shadow”, além do “hit alternativo” “Id Engager”.

Repetindo o que eu falei no ano passado: mais um álbum para sair dançando ridículo no carro... Com um sorriso enorme na boca, que é o que essa banda tem as manhas de fazer com qualquer um que carregue um coração no peito.


5) Los Campesinos! – “Hold On Now, Youngster...” e “We Are Beautiful, We Are Doomed”
Download via Mediafire (Hold on...)
Download via Mediafire (We are...)

Sim, é isso mesmo, são dois álbuns da mesma banda em quinto lugar!

Acho que a última vez que eu tinha visto um impulso criativo em um espaço tão curto de tempo tinha sido com o Creedence Clearwater Revival, que, em dois anos e meio lançou cinco álbuns perfeitos na virada da década de sessenta para a década de setenta.

Sei que você não vai acreditar, mas a primeira vez que eu ouvi Los Campesinos! Eu lembrei da fase boa do Pullovers, especialmente do “Riding Lessons”. Antes de eles começarem com essa palhaçada de negar as origens, começar a cantar em português e renegar as músicas antigas (alguém aí também lembrou dos Maybees/Ludov?), fui absolutamente viciado neste álbum. Guitar rock com vocal dividido entre um homem e uma mulher.

No caso do Los Campesinos!, além dessa fórmula, há um apelo pop, no bom sentido, que faz com que eles também sejam viciantes. Não tem como não gostar dessa banda.

O primeiro álbum é uma sucessão de hits perfeitos “Death To Los Campesinos!”, “Broken Heartbeats Sound Like Breakbeats”, “Don’t Tell Me To Do The Math(S)”, “My Year In Lists” (esta, um semi-hit indie ultra grudento com letra “altafidelidadeana”) e “This Is How You Spell "Hahaha, We Destroyed The Hopes And Dreams Of A Generation Of Faux-Romantics"” correm o risco de grudar na sua cabeça por semanas...

Mas a coisa fica realmente interessante na faixa “You! Me! Dancing!”. Sabe aquelas músicas que dão vontade de chorar quando acabam? Que poderiam durar semanas em vez daqueles seis minutos e meio? É isso que acontece aqui... Tem uma introdução em crescendo, guitarras que grunhem lindamente, letra maravilhosa que (ao menos a mim) faz servir a carapuça (“If there's one thing that I could never confess/It's that I can't dance a single step”). Essa música é a prova de que o tempo é relativo. Seus seis minutos parecem passar em dez segundos.

E, quando a gente achava que eles já haviam nos dado tudo o que queríamos para este ano, eles vêm com um segundo álbum que não deixa a peteca cair. A faixa título, “You'll Need Those Fingers For Crossing”, “The End Of The Asterisk” e “Documented Minor Emotional Breakdown # 1” entrariam fácil entre as melhores do primeiro – afinal, por que não repetir uma fórmula que dá tão certo?

... E assim, temos uma nova banda favorita.


4) Born Ruffians – “Red, Yellow And Blue”
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O engraçado do Born Ruffians é que eu já ouvi todas as comparações possíveis e imagináveis com a banda. A que mais me chamou a atenção, de tanto que parece, ao menos em um primeiro momento, não ter nada a ver é com o Árcade Fire...

Isso só prova o quão inclassificável é essa banda. Não por ser “inovadora” ou algo do gênero. Muito pelo contrário. O som é até que bastante “óbvio”. “Obviamente bom”.

Começa blues com a faixa título e aí vem a segunda faixa, “Barnacle Goose”, com as boas esquisitices – o baterista parece um demente tocando (tal qual em “In A Mirror” e “Kurt Vonnegut”, adiante), acompanhando as quebradas da guitarra – quebradas repetidas mais adiante em “Foxes Mate For Life”.

Mas também tem pop perfeito – “Hummingbird” (com uma linha de baixo, se ainda não te pegou, ainda vai te pegar), “I Need A Life” (que faria com que eu apostasse todas as fichas como hit – que faz com que esta seja a banda que eu gostaria de ter lançado pelo meu selo esse ano, se eu tivesse um – como o foi com o Of Montreal no ano passado – imaginem um “cast” com essas duas bandas? Eu estaria bem, para falar o mínimo) e “Little Garçon” (com a letra mais grudenta do álbum).

E tem “animalcolletivadas” como em “Badonkadonkey” e “Hedonistic Me”.

Acho que esse é o disco mais perfeito de 2008 no quesito “não tem nenhuma música ruim”. Só não fica em primeiro desta lista porque a concorrência fica feia daqui para diante.

Espero que se confirmem os rumores e eles venham no ano que vem para o Brasil – o que é melhor, provavelmente com o Of Montreal. Com isso, já sabemos quais vão ser os melhores shows de 2009 por antecipação (juntamente com o Radiohead, com o Sonic Youth e com o Wilco, obviamente, se estes dois últimos vierem).


3) Vampire Weekend – “Vampire Weekend”
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Estes estudantes de Nova Iorque que se juntaram na faculdade para formar uma banda de nome esquisito tiveram a manha de trazer de volta uma mistura inusitada de indie rock com música africana que estava adormecida há tempos.

A fórmula está longe de ser original. Paul Simon já havia feito isso lá na década de 80. Mas, na época, a mistura da música afro era com o “pop rock” feito na época e não com o indie rock de que tanto gostamos hoje.

O resultado, neste caso, é um álbum deliciosamente pop, talvez o melhor álbum pop do ano.

De “Mansard Roof” a “The Kids Don't Stand A Chance” são 11 músicas com total potencial para ser singles.

Os destaques ficam por conta do hit afro-rockabilly “A-Punk”, a valsa afro-punk “M79” e a “adolescente” “Campus”, uma das melhores músicas do ano e provavelmente a que eu mais escutei.

Talvez eu só não o tenha eleito o disco do ano porque tem alguns deslizes (acho o reggae “One (Blake's Got A New Face)” bem chatinho) e porque, na era internet, um álbum lançado no longínquo mês de fevereiro parece ter sido lançado na idade da pedra, motivo pelo qual ele tenha sido deixado de lado em detrimento dos dois primeiros nesta reta final. Fazendo essa confissão, espero que eu fique com menos peso na consciência por tê-lo destituído do título.

Mas ele vale cada segundo de audição, sem sombra de dúvidas (o que eu sei que é dispensável dizer, pois, este, eu, você e todo o mundo já estamos cansados de ouvir).


2) Bon Iver – “For Emma, Forever Go”
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Se o Born Ruffians é o melhor no quesito “não tem nenhuma música ruim” e o Vampire Weekend fez o melhor álbum pop, o Bon Iver é sem dúvidas o melhor no quesito “beleza triste” e no quesito “rápido e certeiro”.

Esse álbum é lindo, lindo, lindo. Mas e triste, triste, triste. Se você tem coração fraco, mantenha distância. A probabilidade de ter de segurar as lágrimas para não passar vergonha em muitos e muitos de seus pontos é muito grande.

E o tempo aqui, novamente, parece ser relativo. Ta certo que o álbum é curto, mesmo. Mas parece que ele começa e já acaba, o que vai fazer com que você o volte novamente ao começo por diversas vezes.

É um disco, em suma, que vai fazer com que você se pegue por diversas vezes “pregando” para os seus amigos, como se fosse uma missão fazer com que mais e mais gente o ouça.

Reza a lenda que ele foi inteiro gravado após o artista por detrás da banda – Justin Vernom – isolar-se do mundo em uma cabana de seu pai em Wisconsin durante o inverno – e só sair de lá com o álbum composto e gravado – chegam ao absurdo de afirmar que nem comida ele levou e que teria que caçar para sobreviver.

O que saiu dessas sessões foram pequenas pepitas em grande parte acústicas e líricas como “Flume”, dolorida até os ossos, com um falso final maravilhoso, “Skinny Love”, provavelmente a música que você vai viciar em primeiro lugar, “Blindsided” e seu refrão maravilhoso, o country rock “neilyouguianofaseHarvest” “For Emma” (talvez a “menos acústica” do álbum) ”“Re: Stacks” e seu andamento lento delicioso, com um refrão quase samba-bossa.

Mas o ápice do álbum, para mim, é a dobradinha “Creature Fear”/”Team”. As duas músicas, que parecem uma só, evoluem, primeiramente, do nada para o refrão apoteótico absurdamente sofrido, que só quem fala com o coração conseguiria fazer algo assim. Depois, já na segunda delas, fica numa linha de baixo estupenda, bateria descadenciada, devaneios jazzísticos na guitarra e assovios calmantes.

Fazia tempo não surgia um álbum de um artista/compositor que empolgasse tanto... Neil Young e Van Morrison devem estar muito orgulhosos...


1) Deerhunter – “Microcastle/Weird Era Cont.”
Download via Megaupload

As guitarras choradas da introdução do disco prenunciam o que vem pela frente: um disco que reúne as melhores influências musicais desde o Wilco e o Yo La Tengo.

É guitar, é shoegazer, é garage, é blues, é country, é krautrock, é post rock, é tudo o que há de melhor. Sempre com muito barulho e muitos lamúrios.

“Agoraphobia”, guitar, continua chorando e implorando pela vinda, pelo conforto, pelo abraço. “Never Come” é uma mistura inusitada de Jesus And Mary Chain com a linha de baixo de “Every Breath You Take” do Police. Em “Little Kids” os BPM baixam vertiginosamente e o choro fica mais evidente. “Microcastle” começa mantendo a lentidão e, em seguida, te joga novamente no barulho.

Entre alternâncias entre choros e guitarradas, o ápice do álbum acontece com a dobradinha “Nothing Ever Happened” e “Saved By The Old Times”. A primeira, um krautrock sensacional, vibrante, viciante. A segunda, quase country, com riff e refrão grudentos.

E o final do álbum propriamente dito é lindo, com a climática “Twilight At Carbon Lake”.

Mas, como bônus, ainda sobra todo o “Weird Era Cont.”, mais experimental e cru, mas igualmente delicioso...

Ninguém nos deu tanto esse ano.

O Los Campesinos!, como falado, até nos deram bastante em quantidade, mas, você sabe, a gente quer mesmo é barulho, não? E no Deerhunter a coisa é mais barulhenta, mais underground, mais agressiva, mais depressiva, enfim, mais arredia...

Sei que pode soar contraditório, mas é disso que a gente gosta, não?


Cassius Matheus Devazzio, mais uma vez é convidado especial para escrever o fechamento de balanço do ano para o over-tunes e é o cara que me levou para o primeiro show de róque da minha vida.
 


OVER-TUNES: UM ANO!

Categoria: , , , , , por Ênio Vital - quinta-feira, novembro 20, 2008
O OVER-TUNES nesse último sábado, dia 15 de novembro, completou um ano de vida. E, este post, tem como intuito passar algumas informações que ocorreram durante esse ano em que nos dedicamos a música.

Tivemos 53 postagens das quais 27 foram de resenhas de albuns que consideramos interessantes. Uma média boa de cada dois posts um ser uma resenha.

Desde que o sistema de comentários ficou habilitado no começo de Agosto, tivemos 58 comentários.

O primeiro semestre de vida do blog foi feito por mim e o Pierre(o outro fundador), o segundo semestre convidamos dois amigos, Henrique Cebola e o Mestrolho, para ajudar a dar mais volume ao blog. Tivemos contribuições esporádicas de outros amigos como: Caio Proença, Eduardo "Durinha" Borgato e Cassius Devazzio.

O Blog está chegando na casa de 9.000 visitas. Possuímos uma audiência fiel que varia de 600 à 800 visitações por mês de pessoas bacanas. Habitualmente, essa variação se constrói pelo volume de informação que o blog entrega.

Não divulgamos nosso blog e nem possuímos grandes amigos da blogesfera que nos seja irmão-de-link logo isso é percebido pela origem das nossas visitações.

Nosso carro-chefe(36%) de visitação é o uso de imagens que - na maioria das vezes - são tiradas por nós ou scaneadas de revistas de Música que as pessoas procuram por google ou afins e acabam aqui caindo aqui. Em seguida, com 22%, são os fiéis que acessam diretamente pelo nosso site e outros 12% migram do orkut para cá(talvez, entre no perfil de algum escritor e caí para cá).

Nunca tivemos preocupações com isso. Estamos aqui por pura e verdadeira devoção pela música.

Bom, isso é o que aconteceu até hoje.

Projeto para o próximo ano: termos um domínio .com ou .net, um design novo, uma maior cobertura de shows e - quando possível - entrevistas!
 


Debut do Stoner

Categoria: , , , , por Henrique Affonso de André - quarta-feira, setembro 17, 2008
Há alguns dias tive a oportunidade de conversar com o Ênio numa festa onde pude falar sobre a qualidade na concepção desse blog. Gostei muito da maneira com que tratam a música, que, em minha opinião, está diretamente ligada ao berço, Monte Alto.

A única coisa que não pude desfrutar foram artigos sobre música brasileira. Veja bem, não estou sendo xiita, mas creio que alguns pontos da musicalidade brasileira têm que ser levados em questão. Não estou falando de Charlie Brown, NxZero, Jay Vaquer ou qualquer joça parecida e, sim, de coisas um pouco mais inovadoras e gostosas de serem ouvidas enquanto tomamos banho ou cerveja.

Recife, década de 70, nasce o Stoner Rock. Parece piada, né? Então tá bom. Você até pode brigar comigo, idolatrar o Josh Homme, Nick Oliveri, a PJ Harvey e as Desert Sessions, mas perca alguns minutos da sua tarde de domingo e escute Geórgia, a Carniceira, da banda Ave Sangria (ex- Tamarineira Village). A velocidade das guitarras e o ritmo me fazem lembrar bastante QOTSA, o primeiro disco. Lembre-se ainda que temos nessa “classe” de bandas o The Mars Volta e o Fu Manchu, que vai da pancada até viagens psicodélicas feitas a base de mescalina ou algo do gênero.

Ao que interessa. Ave Sangria escandalizou Recife na sua época. Subiam no palco usando batom e, segundo algumas fofocas da época, chegavam a se beijar no palco. Conseguiam unir (e muito bem!) poesia e música da boa. No lançamento do primeiro (e único) disco em estúdio, tiveram uma música censurada (Seu Valdir), pois esta incitava o homossexualismo. Vale pelo menos por curiosidade. Não é Mutantes, muito menos Secos e Molhados, mas é uma obra digna de arquivo (pelo menos em mp3). Se caso julgar bacana, existe uma K7 com um show, chamada de Perfumes Y Baratchos.

Aos mais neuróticos, essa era a formação da banda:
Marco Polo (vocais), Ivson Wanderley (guitarra solo e violão), Paulo Raphael (guitarra base, sintetizador, violão, vocal), Almir de Oliveira (baixo), Israel Semente (bateria) e Juliano (percussão).
Depois de um pequeno e produtivo tempo, a banda terminou e o vocalista Marco Polo seguiu carreira solo, assim como alguns outros componentes.

Ave Sangria – Ave Sangria (1974)


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Ave Sangria – Perfumes Y Baratchos (1974)

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Texto de Eduardo Borgato, mais conhecido por Andorinha, um montealtense da gema.

 


GAME OVER

Categoria: , , por Ênio Vital - terça-feira, setembro 16, 2008
Ainda me lembro bem da primeira vez que ouvi Metallica. Não era um dia normal, uma reunião qualquer de família para aniversários ou algo do gênero quando os primos ouviam juntos um recém comprado 'Load'. Eu era apenas um garoto que começava a ouvir rock, e aquilo era de longe o que de mais agressivo eu havia escutado até então. Talvez por achar difícil entender o ponto de vista dos fãs mais xiitas que pregam um impiedoso e cruel boicote ao Metallica desde meados dos anos 90, principalmente quando se tem em vista obras como o 'S&M' pelo caminho. É claro que com o tempo é muito óbvio que os trabalhos dos anos 80 têm uma energia e vontade completamente diferente dos atuais, mas quem aguenta fazer 20, 30 anos de banda tocando os mesmos riffs? É isso, o jogo acabou, o Metallica é simplesmente a maior banda de heavy metal de todos os tempos – porta de entrada para uns 90% de todos aqueles jovens como eu para o estilo, tendo realizado os discos mais importantes do estilo, os divisores de água. Acabou, o jogo acabou.

O que leva esses quarentões a continuarem fazendo música pesada já podres de ricos, com angústias totalmente diferentes daquelas que lhes instigaram a começar tudo? A resposta que escolho é a mais heavy metal possível: Ego. O ego de James, Lars e Kirk está abalado desde o 'Black album'. Isso fica claro em 'Some Kind of Monster', convenhamos. Se o infame documentário de dois anos atrás funciona como uma terapia, 'Death Magnetic' é a apoteose de tudo isso, algo como o make-up sex extremo. Vai ser difícil achar uma classificação melhor do que a dada pela revista Rolling Stone nos EUA. 'Death Magnetic' é como a invasão russa à Geórgia – o despertar violento de um gigante adormecido. Em tese não deveria ser possível abrir um sorriso ao ouvir riffs como os 'Broken, Beat and Scarred' (segunda pancada do álbum), mas quando se trata da volta da melhor banda de heavy metal do mundo à sua melhor forma é difícil não fazê-lo. Muitos fãs ainda irão classificar esse disco como ruim, ou mesmo como bom mas não aos pés de qualquer outro. Penso que isso irá passar, abaixar a poeira como num Iraque bombardeado para aí sim vermos a verdadeira identidade deste que é o trabalho mais agressivo e cheio de identidade da banda desde o '...And Justice For All'. Muitos criticaram 'Fade to Black' uma vez. Outros mais consideram o próprio 'Justice...' massante. Idéias como essas não resistem à qualidade de uma música feita com o coração (ou seriam tripas?).

'Death Magnetic' vale a pena do início ao fim e traçar muitas comparações só irá tornar esta resenha um tanto quanto paga-pau. Não adianta dizer que lembra um 'Master of Puppets'. Se fosse lançado nos dias de hoje com certeza 'Master..' iria soar desajeitado, fora do lugar. 'Death Magnetic' acerta em todos os sentidos, é uma bateria anti-aérea derrubando os velhos caças russos de 30 anos atrás no Iraque. É pura brutalidade no tom certo para os dias de hoje, e quem sabe pode se tornar uma referência em como fazer heavy metal para o futuro próximo. O jogo terminou, o Metallica venceu.


Metallica - Death Magnetic

1. "That Was Just Your Life"
2. "The End of the Line"
3. "Broken, Beat & Scarred"
4. "The Day That Never Comes"
5. "All Nightmare Long"
6. "Cyanide"
7. "The Unforgiven III"
8. "The Judas Kiss"
9. "Suicide & Redemption"
10. "My Apocalypse"


Qualidade: 320kbps
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A Rapidshare está deletando fácil e rápido os links sobre esse album. Pois bem, se o link expirrar, avise-nos pois estaremos upando novamente!

Caio Proença é o dono desta resenha e é meu broder de Belém do Pará! Mandou bem em mais uma resenha para o blog! Valeu!

 


VÓS APRESENTO: MESTRE DA REALIDADE

Categoria: , , , por Ênio Vital - segunda-feira, junho 16, 2008



Uma esdruxula nota deste blogueiro é que, sem dúvida, esta é uma das capas de rock mais vagabundas. Buttttttt ok. Para contra-pôr, em seguida, se deliciem com uma das melhores resenhas que já li sobre esse maravilhoso album que já vendeu 2 milhões de cópias e tem dois discos de platinas escrito por um broder meu de Belém do Pará, sêo Caio Proença, figurinha carimbada da cena de bebedores aficcionados por whiskie JB e um Marlboro vermelho. Eis que, vos apresento: Mestre da Realidade.

BLACK SABBATH - MASTER OF REALITY
por Caio Proença

Falar de Black Sabbath é como falar dos Beatles. Para toda uma geração de músicos, para toda uma forma de se fazer rock&roll, não há comparações a serem feitas com nenhum outro artista ou banda. Sabbath revolucionou o rock por duas razões: a deficiência física de Toni Iommi e a percepção de mundo de um grupo de jovens decepcionados com tudo, tal como o punk, porém com uma visão muitíssimo mais pessimista. Iommi, considerado por muitos um dos maiores guitarristas de todos os tempos e, se não dono de grande técnica, um dos mais originais deu origem a um jeito totalmente inovador de se tocar guitarra. Tudo por culpa de um acidente sofrido na infância, quando perdeu parte de alguns dedos da mão direita (Iommi é canhoto). Era quase óbvio que ele não poderia mais tocar guitarra, pois a dor era excruciante. No entanto teve uma idéia que fez toda a diferença: para facilitar sua vida simplesmente desafinou a guitarra, para um Dó sustenido - com as cordas menos tensionadas a dor era suportável, não exigindo tanto de seus dedos e próteses de madeira. Isso fez toda a diferença, criando o timbre em que se fez o heavy metal. Com uma guitarra três semi-tons abaixo fez-se um som muito mais pesado, denso, o que virou a marca registrada do Black Sabbath. Após um debut muitíssimo criticado pela imprensa e que, a exemplo de bandas como o Led Zeppelin, acabou sendo aclamado pelo grande público e, especialmente, por suas perfomances ao vivo o Sabbath se tornou um dos maiores nomes de rock de todos os tempos.

Master Of Reality é o seu terceiro disco. Para muitos não é tão brilhante quanto Paranoid, mas marca uma grande mudança no som e principalmente nas letras da banda. É inovador ao começar, por exemplo, com um sample - coisa que ainda estava sendo testada e experimentada por diversos outros grupos. A tosse que anuncia "Sweet Leaf" traz um tom quase irônico ao disco. Logo nesta primeira música, Ozzy canta a experiência de encontrar luz, amor.. temas difíceis de se imaginar o Black Sabbath cantando. A música em si não difere muito do que o Sabbath vinha fazendo até então, e isso prossegue por todo o disco. Mas é a partir de Master Of Reality principalmente que Sabbath se torna uma verdadeira banda de doom metal. Os riffs e a condução da banda passou a ser mais lento e a influência de blues vista no primeiro disco é praticamente coisa do passado. A segunda música, "After Forever", é a mais surpreendente em suas letras. Aí mora a principal surpresa do disco, quando é narrada a conversão do Sabbath ao Senhor, criticando os que não o seguem, pedindo mais bom senso. Ironia? Talvez não.

Master Of Reality é um disco controverso, mas que guarda alguns dos riffs mais marcantes da carreira do Black Sabbath em cada uma de suas músicas, verdadeiros clássicos. "Embryo" é a terceira música, uma vinheta de guitarra, atmosférica, típica do Sabbath - coisa que os acompanharia em cada um de seus álbuns até hoje. "Children Of The Grave" traz um baixo frenético, uma das músicas mais clássicas do Sabbath com Ozzy nos vocais, essa sim, com o espírito Sabbath de até então. "Orchid" é mais uma instrumental, bem mais cheia de melodias do que "Embryo", algo para se lembrar de "Planet Caravan". "Lord Of This World" é a melhor música do disco, contradizendo boa parte do que foi dito em "After Forever". Retrata Deus como um cara mau, a ser temido caso você não jogue de acordo com as regras d'Ele. Black Sabbath aí pode ser a primeira banda verdadeiramente goth-rock quem sabe.. Na opinião deste colunista, esta é a melhor música da carreira do Sabbath, minha preferida - especialmente pelo solo de baixo de Bill Ward, um dos grandes baixistas da história do rock, e pelo seu fim estremecedor. E para quem não lembra de "Planet Caravan" aí vai uma amostra, "Solitude" é uma das melhores músicas calmas do Sabbath, só não é possível mesmo comparar com a de Paranoid. A letra de "Solitude" fica na frente, narrando talvez uma depressão, bem ao estilo Sabbath. Mas como é possível constatar à essa altura do disco, o Sabbath amadureceu muito, fazendo agora um heavy metal com muito mais cérebro, retratando o metal como metal, e não como um extremo do punk, descerebrado - mas ao contrário deste, nada político. Pesado quando necessário, belo quando de bom tom. Para fechar o disco entra "Into The Void", outra das melhores músicas da carreira da banda. Novamente uma letra com mensagem, dessa vez uma crítica à humanidade destruindo o mundo e fazendo guerra, e novamente sendo punida- e como vai ser castigado. Um final maravilhoso para um disco maravilhoso.

A guitarra apita e grunhe, é a marca que Iommi carregaria para sempre, o verdadeiro rei dos riffs pesados. O baixo sola. A bateria é marcada, pesada, brutal ainda. É, na opinião deste espaço, o melhor disco do Black Sabbath. Os temas das letras se transformam neste disco, passando de tratar apenas de banalidades e visões malignas, mas trazendo um conteúdo totalmente novo - ainda maligno como um bom heavy metal deve ser. Isso, aliás, é que é doom metal.

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Fechamento para balanço.

Categoria: , , por Ênio Vital - terça-feira, janeiro 22, 2008
Mais um ano termina e, sendo assim, se torna inevitável uma lista sobre os melhores discos do ano. Infelizmente, não pude escutar muitos discos nesse ano devido a minha ocupação de vestibulando(vida de cursinho sucks!). Em todo caso, eu elegi um broder que escutou vários cds deste ano e entende muito de música! A eleição destes melhores foi baseada numa discussão entre mim e ele do que se entende por "discustível"(gosto musical) e "indiscutível"(os fatos), por isso a ordem deles pouco importa.

Sem mais delongas, aí vai a lista:


1) Battles – “Mirrored”

Em um ano cheio de boas “voltas dos que não foram”, o álbum de maior de destaque foi, sem a menor sombra de dúvidas, a estréia dos Battles.
Liderada pelo filho do jazzista Anthony Braxton, Tyondai Braxton e com performances matadoras do baterista John Stanier, ex-Helmet, o Battles é uma banda de tirar o fôlego. Na evolução das músicas, é uma sucessão sem fim de mudanças de ritmos e de encontros e desencontros instrumentais que o ouvinte muitas vezes parece ficar perdido. Mas tudo se encaixa perfeitamente, não há nada fora do lugar.
Eu costumo dizer que, para que eu goste de uma música, ela precisa me tocar de alguma forma. O que dizer de músicas que te carregam sem você perceber e, quando você cai em si, ela já está te jogando de um lado para o outro sem que você consiga ter mais autocontrole? Só se consegue voltar para o chão quando ela termina. E é aí que você quer que tudo recomece.
Músicas como “Atlas”, “Tonto” e “Race Out” fizeram deste ano uma época muito mais prazeirosa (e diferente) de se viver.










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Senha: comunidadetuga.com



2) Radiohead – “In Rainbows”

E o Radiohead voltou a fazer boa música...
Não que algum dia o Radiohead tenha feito música ruim, mas o fato é que somos eternas viúvas do “OK Computer”.
Depois de bastante tempo sem gravar algo novo e de um disco irregular, finalmente a volta aos bons tempos.
Não consigo avaliar com tanta facilidade se esse álbum é uma volta aos bons tempos do “The Bends” e do “OK Computer”, como muitos disseram. Nem se ele é um “resumo da carreira” da banda, como escreveram muitos outros. O fato é que a banda está em plena forma.
Destaque para o rockão “Bodysnatchers”, a linda “House Of Cards” e a matadora “Jigsaw Falling Into Place”, melhor do disco.
Agora é torcer para eles finalmente virem para o Brasil


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senha: http://www.2baksa.net/






3) Queens Of The Stone Age – “Era Vulgaris”

Se existe uma banda que nunca fez um disco sequer ruim, essa banda é o Queens Of The Stone Age.
A impressão que dá é que a cada disco o som dos caras foi ficando mais “pop” (exceção è seqüência “Rated R”/“Songs For The Deaf”), mas isso de forma algum tem tom de crítica.
“Era Vulgaris” é o disco com mais “hits” de 2007. Do começo ao fim, não tem nenhuma música ruim.
Se fosse para avaliar o disco com músicas mais legais do começo ao fim, talvez esse seria o disco do ano. O único senão é que a fórmula começa a ficar um pouco repetitiva. Mas é a marca dos caras e nós, fãs, não temos do que reclamar.


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4) Interpol – “Our Love To Admire”

Depois de uma estréia matadora e de um disco meia-boca, o Interpol reaparece com um grande disco.
Repito aqui o que já disse em relação ao Queens Of The Sonte Age: “hits” seguidos de “hits”, com o senão de repetir a fórmula.
Não recomendado para quem busca coisas realmente novas, mas sem dúvidas um ótimo álbum.
E com ganchos como “Heinrich Maneuver” e “Mammoth”.

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5) Clap Your Hands Say Yeah – “Some Loud Thunder”

Com os naturais percalços da “síndrome do segundo disco”, fato é que o Clap Your Hands Say Yeah passou no teste e fez um grande álbum.
Numa época de revolução nas comunicações e na indústria fonográfica, este álbum, lançado no começo do ano, parece ser do milênio passado. Mas é um dos álbuns do ano.
E, muito provavelmente, “Satan Said Dance” é a música do ano. Pronto, falei.

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6) Of Montreal – “Hissing Fauna, Are You The Destroyer?”

Definitivamente, eu não serviria para ser “descobridor de talentos musicais” de uma grande gravadora que estivesse procurando uma nova estrela pop fenômeno de vendas.
Para mim, nada é mais pop e passível de produzir hits do que este álbum. Vide “Heimdalsgate Like A Promethean Curse” e “A Sentence Of Sorts In Kongsvinger”. Apostaria todas as minhas fichas nele.
Não que ele tenha sido um fracasso nem nada do gênero, mas eu coloco este álbum no mesmo patamar pop que qualquer boy band ou qualquer Britney Spears da vida. E isso não é, de forma alguma, crítica, mas um grande elogio. Afinal, todos estamos aqui para isso, não? Não entendo essa onda de que o que é difícil é melhor e o que é fácil é sem graça.
Aliás, está em tempo de jogar ele mais para cima na lista?
Para ouvir no carro, dançando e passando ridículo no trânsito.

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Observações: viciei esse ano em dois álbuns que, infelizmente, não podem entrar na lista pois são do ano passado: “Seres Verdes ao Redor” do Supercordas e “Back In Black” da Amy Winehouse. Fica a dica.

Cassius Matheus Devazzio